Números 3:1-16

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

  

No terceiro capítulo, chegamos a mais detalhes sobre o que nos interessa ainda mais, não a ordem geral do alistamento de Israel, mas o que diz respeito ao serviço dos levitas. Isso tem uma ligação especial com nossa caminhada aqui neste mundo. O sacerdócio é tão notável no livro de Levítico quanto o serviço levita no livro de Números. A este respeito, Levítico não é um nome feliz para o livro. A verdade é que a maior parte dos detalhes sobre os levitas é encontrada em Números e não em Levítico. Devemos lembrar que o nome “Levítico” não é dado pela inspiração divina: é meramente um nome tirado da versão grega; ou seja, é um nome humano. Não hesito, portanto, em fazer essa observação. O modo de referência em hebraico para esses livros era a mera citação da primeira palavra em cada livro. 

No livro de Números, então, onde nós temos a caminhada para a terra prometida, o serviço encontra seu lugar de destaque. No livro que desenvolve o acesso a Deus, o sacerdócio se sobressai tanto quanto o serviço levita aqui. O cristão é tanto um sacerdote quanto alguém a serviço de Deus. Somente o sacerdócio estabelece a proximidade ao próprio Deus no santuário celestial – não mais em figura, mas em verdade, enquanto que o “serviço levítico” tem a ver com o serviço do santuário enquanto o povo de Deus está passando pela terra. É necessário dizer que as funções sacerdotais do crente têm um caráter muito superior ao seu “serviço levítico”, se nos expressarmos figuradamente. Em um caso, temos que ver com o próprio Deus; nos aproximamos no sentido do que Cristo é para Ele, bem como para nós. No outro, temos o que é um dever santo; no entanto, é um dever que tem a ver com o homem e a Terra em nossa passagem por este mundo. É deste último que vamos começar a tratar em mais detalhes a partir deste capítulo 3.

Com o arraial de Israel organizado, Deus está para indicar determinadas famílias para determinados trabalhos. Mas primeiro é contada uma triste história. (E não é sem razão de ser). O sacerdote devia tomar fogo do altar e acrescentar incenso para apresentá-lo ao Senhor (Levítico 16:12-13). Nadabe e Abiú foram ao lugar certo, e eram filhos de Aarão o sacerdote, mas tomaram o fogo de um lugar diferente do altar, e Deus os matou por meio de fogo (Levítico 10:1-2). Isto nos ajuda a lembrar que Deus não Se agrada de qualquer pretensão de adoração que não tenha início na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo e no sangue que Ele derramou ali.

Então vemos que Senhor separou os filhos de Levi para fazê-los servidores do santuário. Colocados à prova por ocasião do juízo que se seguiu ao bezerro de ouro; foram achados fiéis (Êxodo 32:26-29; Malaquias 2:4-6), e assim eles são escolhidos para o serviço de Arão e de toda a congregação (versículo 7). Agora seus filhos são convidados a se aproximar e estar diante do Sumo Sacerdote para o serviço. Esta é uma figura do privilégio que pertence a cada cristão: servir ao Senhor e a Assembleia, impossível um sem o outro! Devemos sempre lembrar disso: antes de servir de forma inteligente, devemos nos apresentar diante do Senhor. E de que maneira, de forma prática, podemos estar diante Dele? Você não acha que é através da oração? É com os joelhos no chão que o cristão sempre começa seu trabalho. 

Algumas das palavras empregadas pelo Espírito Santo neste livro lançam luz sobre a natureza do compromisso exigido no cumprimento do ministério do santuário. Mesmo aqui, elas indicam a necessidade de qualidades de soldado. A palavra “guarda” (ou serviço em outras traduções) nos versículos 7 e 8 sugerem a atividade de um sentinela, isto é, vigilância. Isaías 21:8, “fico no meu posto todas as noites”. Que o Senhor nos conceda estar entre aqueles que sabem como vigiar por e sobre o povo de Deus. Também a palavra alistar no contexto de Números 4:3 traz à mente o serviço de guerra, trabalho, sofrimentos.

Nos versículos 12 e 13, o Senhor lembra quando e como Ele consagrou aos Levitas. Quando Deus matou os primogênitos do Egito, Ele queria que todos os primogênitos (homens – Êxodo 13:12) de todas as tribos de Israel fossem Seus. Aqui Ele diz que tomará a tribo de Levi ao invés daqueles primogênitos. Todos os Levitas pertenciam especialmente ao Senhor, e eram privilegiados e responsáveis por servi-Lo. A noite da Páscoa, para nós corresponde à cruz, marcou sua separação (leia 2 Coríntios 5:15). Mais ainda, esses servos são “dados” a Arão e a seus filhos (versículo 9). Não é assim que o nosso grande Sumo Sacerdote designa os seus discípulos amados em oração a Seu Pai? Eles são “aqueles que me deste” (João 17:9, 12, 24…).

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.

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