Levítico 12:1-8 e 13:1-8

 

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

 

 

Para mostrar que os recursos divinos são fornecidos antes do aparecimento do pecado, Levítico considera os sacrifícios e o sacerdócio antes do pecado. O capítulo 11 nos ensina a ficarmos atento para não sermos contaminados por impurezas externas. Mas o mal não está somente em torno de nós, está igualmente em nós; nosso inimigo já está dentro. O Capítulo 12 nos torna conscientes do seu caráter hereditário: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmo 51:5). 

A natureza pecaminosa de Adão foi transmitida a toda a sua raça; uma criança recém-nascida é um pecador em potencial antes de cometer qualquer ato culpado; sendo assim, ela precisa tanto do sacrifício de Cristo como um adulto. O nascimento de uma criança deveria ser um gozo e uma bênção. Mas isso foi antes da queda de Adão e Eva. Agora leia Gênesis 3:15 e veja o resultado do pecado que Eva cometeu. O pecado nunca fica sem castigo. O nascimento de uma criança, por causa do pecado de nossos primeiros pais, tornou agora a mulher impura – sob a lei. O Senhor Jesus levou a maldição da lei por nós, de modo que não estamos sob a lei, mas sob a graça (Gálatas 3:13 e 1 Coríntios 6:18-20). 

Cada criança nascida no mundo acrescenta o pecado que foi introduzido pela primeira vez pela mulher. Contudo, Deus havia dito para que Adão e Eva “fossem frutíferos e multiplicassem” (Gênesis 1:28) e esta instrução não foi alterada quando pecaram. Mas cada criança nascida é um lembrete de que o pecado exige um sacrifício. Assim, em Israel, quando uma mulher tinha um filho, ela ficaria impura por sete dias. No oitavo dia, o filho seria circuncidado. O número oito significa um novo começo, que ocorre quando a carne é cortada, pois “a carne para nada aproveita” (João 6:63).

Então ela permaneceria 33 dias “no sangue de sua purificação” (versículo 4). Mas se tivesse uma menina, o tempo era duas vezes maior, duas semanas impura e 66 dias até que a purificação fosse realizada. Isso porque “Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão” (1 Timóteo 2:14), e é através da mulher que a raça dos pecadores é perpetuada.

Isso feito, seja para um menino ou menina, a mãe devia trazer ao sacerdote uma oferta pelo pecado (versículo 6). Observe aqui que não havia oferta pela culpa, pois não era uma questão de ter feito algo de errado. Mas a oferta pelo pecado trata da natureza pecaminosa que é herdada pelo nascimento, de modo que esta oferta fala de Deus ter, pela cruz de Cristo, condenado o pecado na carne (Romanos 8:3). O holocausto nos diz que a glória de Deus é realmente a primeira consideração neste assunto. Quando Deus é glorificado e o pecado é condenado, o impuro é purificado (versículo 7).

Os capítulos 13 e 14 tratam da lepra, sempre uma figura do pecado em seu caráter de mancha, impureza, contaminação. A Lepra ou Hanseníase é uma doença que destrói o corpo, é contagiosa e incurável, repugnante a vista e enfraquece a sensibilidade do tato. A lepra era encontrada em pessoas, vestes e casas. Romanos 5:12 nos fala que a morte entrou no mundo pelo pecado. Portanto, a lepra era como o pecado atuando na carne.

No capítulo 12 vimos a natureza pecaminosa da humanidade sendo tratada; agora o capítulo 13 considera o que fala da erupção da natureza na atividade pecaminosa. Pois, embora não sejamos responsáveis por ter uma natureza pecaminosa, somos responsáveis se permitimos que ela se rompa em ações pecaminosas, e hoje aqueles que formam uma assembleia são responsáveis por discernir e julgar o mal quando ele se desenrola entre eles, isso coletivamente, e nós, individualmente, somos responsáveis por discernir e julgar o mal em nós.

Observe que não era o médico, mas o sacerdote, a pessoa que podia falar a verdade acerca disso. Não era algo fácil de se detectar. Para o crente, a pessoa que vive próxima ao Senhor, fica mais fácil detectar o pecado (Hebreus 5:14, 1 Coríntios 2:14). Por isso, aqui Aarão (uma figura de Cristo) ou o filho de Aarão (uma figura de um crente vivendo próximo ao Senhor) podia decidir se era ou não lepra. Na assembleia, os que investigam tais coisas devem ser aqueles que têm experiência e discernimento piedosos, e que “tenham compaixão dos ignorantes e errados, pois eles mesmos também estão rodeados de fraqueza” (Hebreus 5:2). Se a carne aparecesse, era lepra. Quando a carne (a velha natureza) está ativa em nós, o pecado está em atividade. Isso fica evidente. 

 

Se algo aparecesse na pele de um indivíduo e dois sintomas fossem evidentes, “se o pelo na praga se tornou branco, e a praga parecer mais profunda do que a pele da sua carne” (13:3) não restava dúvida alguma: era lepra. O pelo branco fala da decadência da força espiritual e a praga mais profunda do que a pele indica que o pecado não é meramente um caso leve.

Se o homem estivesse todo branco – era como uma pessoa hoje que confessa que não existe nada de bom nela, mas apenas pecado – então estava limpo (Romanos 7:18).

Aos olhos de Deus, o pecado apresenta características correspondentes. Se expressa em ações e palavras, mesmo em crentes, infelizmente – conhecemos muito bem! 

 Por exemplo, Miriã – calúnia (Números 12:10), Geazi – ganância e mentiras (2 Reis 5:27), Uzias – orgulho espiritual (2 Crônicas 26:20).

Para nós hoje, se o mal estiver em ação, ele se espalhará: caso contrário, desaparecerá. Como discernimos isso? O sinal mais seguro de que o mal não está ativo é visto em uma atitude de autojulgamento. Em um caso como este, uma atitude de autodefesa quase sempre indica que o mal está se espalhando. Se um crente cai no mesmo tipo de pecado depois de ser perdoado, isso mostra que a raiz do assunto não foi realmente julgada. O mais importante para o pecador hoje é confessar a Deus.

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.

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