Gênesis 44:1-17

(recomendamos que leia esse trecho em sua Bíblia antes de prosseguir)
 

Lembre-se de que as escrituras têm somente um significado, mas muitas aplicações. A primeira interpretação de toda esta história é uma figura de Israel, não da igreja. A igreja é representada por Azenate (Gênesis 41:50), a esposa gentia de José. 

O cerco está se fechando em torno dos irmãos de José, mas um coração quebrantado diante de Deus é prelúdio de bênção para o crente. “Circunstâncias imprevisíveis” – mas dirigidas por uma mão fiel – os constrangem a voltar seus passos e a aparecer diante daquele que tudo sabe. Agora a consciência deles é afetada. “Que diremos ao meu senhor? que falaremos?” (versículo 16). Que progresso, moral, fizeram desde o momento em que fingiram ser “homens de retidão”! (Gênesis 42:11). Agora a libertação está próxima.

Este mesmo versículo 16 mostra a confissão final. Deus descobriu a iniquidade deles? O que eles na verdade demonstravam era – agora descobrimos que Deus sabe.

José agiu de modo que lembrassem dos seus pecados, para fazê-los confessar de sua própria boca. Seu propósito ao prender Simeão e, em seguida, Benjamin foi inteligentemente concebido para ver se eles ainda eram indiferentes aos gritos de um irmão em cativeiro e as lágrimas de um pai inconsolável. Seu plano funcionou com perfeição; sua aspereza e bondade conspiraram para perturbá-los; e sua benevolência os ajudou a chegarem ao arrependimento. 

Como em toda a história de José, estes “incidentes” têm um caráter profético. Temporariamente colocado de lado como consequência da rejeição de Cristo, o verdadeiro José, Israel será levado a reconhecer o seu crime e a ver no Nazareno, a quem desprezaram e crucificaram, Aquele que Deus fez para ser Senhor e Cristo (Atos 2:36), seu Messias e, ao mesmo tempo, o Filho do Homem que reinará sobre todo o universo. No entanto, para que esta obra de consciência aconteça, Israel, especialmente a tribo de Judá, deve primeiro passar por um tempo de profundas provações, chamado de “grande tribulação” (Apocalipse 7:14), um prenúncio do dia futuro, quando o remanescente de Israel confessará sua culpa na morte do Messias e chorará por Ele como quem pranteia por seu único filho (Zacarias 12:10).Quando estiverem completamente quebrantados, o Senhor Jesus voltará para eles, e reinará como rei (Romanos 11:26). Até que confesse seus crimes, a aflição dos irmãos de José nos fala da angústia que tomará o povo judeu antes de reconhecer e honrar o seu Messias.

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor no século XIX e XX.

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