Êxodo 25:23-40

 

(recomendamos que leia esse trecho em sua Bíblia antes de prosseguir)

 

 

Enquanto a arca mostra a Cristo, por meio do qual os direitos de Deus foram perfeitamente mantidos, a mesa representa Cristo levando continuamente os Seus na presença de Deus. Fabricada com os mesmos materiais que a arca (madeira de acácia revestida com ouro puro), com uma coroa e bordas, que falam respectivamente de glória e de proteção, a mesa estava destinada a transportar (1) os doze pães da proposição (Levítico 24:5-6), uma imagem do povo de Deus em sua integridade, e (2) os utensílios de ouro puro mencionados no versículo 29, o que nos dá a segurança de que Cristo nos sustenta em nosso serviço (Marcos 16:20).

 

Na mesa, os doze pães eram colocados a cada Sábado. O pão da semana anterior era então tirado para o pátio do tabernáculo e Aarão e seus filhos os comiam. Cristo é o pão que desceu do céu (João 6:32-33; 6:35; 6:41; 6:48; 6:50-51).

 

 De uma forma simbólica, todo o povo de Deus está aí no santuário, levado pelo Senhor e mantido por Ele na luz de Deus. Isso nos leva ao castiçal de ouro puro, o emblema d’Aquele que na terra foi “a luz do mundo”. Assim como os pães da proposição nos falam que precisamos de alimento, o castiçal nos fala de nossa necessidade de luz, em Cristo temos os dois. Feito de uma única peça de puro ouro, batido até o formato final, é aqui descrito. A única fonte de luz dentro do tabernáculo. Deus é luz – a única fonte de verdade é Deus. O Senhor Jesus Cristo Se tornou um Homem de modo a poder nos dar essa luz (João 1:1; 1:3-4; 1:8-9; 8:12 e 12:46). O castiçal tem sete lâmpadas de ouro, uma figura do testemunho de Deus hoje que corresponde a assembleia (Apocalipse 1:12, 20). Esta tem a responsabilidade de alumiar durante a noite deste mundo por meio da energia do Espírito Santo (o azeite). “Vós sois a luz do mundo”, disse Jesus aos seus para a vinda do tempo de sua ausência (Mateus 5:14). Mas para manter o brilho das lâmpadas, os espevitadores são necessários (versículo 38), imagem do cuidado contínuo de nosso grande Sumo Sacerdote.

 

 

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor no século XIX e XX.

_______________

 

Espevitadeira – as espevitadeiras eram utilizadas para cortar o pavio que ficava pronto para ser aceso novamente, enquanto a parte queimada era depositada no recipiente. 

 

Neste capítulo…

O Único Lugar de Encontro

A arca e o propiciatório, considerados em conjunto como um todo, são para nós uma figura admirável de Cristo, em Sua Pessoa e Sua obra. Havendo engrandecido a lei, na Sua vida, e tornando-a honrosa, veio a ser, por meio da morte, a propiciação ou propiciatório para todo aquele que crê. A misericórdia de Deus só podia repousar numa base de perfeita justiça:”…a graça reina pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Romanos 5:21). O único lugar próprio para o encontro entre Deus e o homem é aquele onde a graça e a justiça se encontram e se harmonizam perfeitamente. Nada senão a justiça perfeita podia agradar a Deus; e nada senão a graça perfeita pode convir ao pecador. Mas onde poderiam estes atributos encontrar-se? Somente na cruz. Foi ali que a misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram (Salmo 85:10). É assim que a alma do pecador crente encontra paz. Vê que a justiça de Deus e a sua justificação repousam sobre o mesmo fundamento, isto é: a obra consumada por Cristo. Quando o homem, sob a influência poderosa da verdade de Deus, toma o seu lugar como pecador, Deus pode, no exercício da graça, tomar o Seu como Salvador, e então toda a questão se acha solucionada, porque havendo a cruz respondido a todas as exigências da justiça divina, os rios da graça podem correr sem impedimento. Quando o Deus justo e o pecador se encontram sobre uma plataforma salpicada de sangue tudo está solucionado para sempre – solucionado de maneira a glorificar Deus perfeitamente e salvar o pecador para toda a eternidade. Seja Deus verdadeiro, ainda que todo o homem seja mentiroso; e quando o homem é levado inteiramente ao ponto mais baixo da sua condição moral diante de Deus e está pronto a aceitar o lugar que a verdade de Deus lhe designa, então reconhece que Deus Se revelou como o Justo justificador. Isto deve dar paz à consciência; e não apenas paz, mas concede a capacidade de comungar com Deus e de ouvir os Seus santos preceitos no conhecimento daquela relação em que a graça divina nos introduziu.

 

Por isso, “o lugar santíssimo” oferece-nos uma cena verdadeiramente admirável. A arca, o propiciatório, os querubins, a glória! Que espetáculo para o sumo sacerdote de Israel quando entrava dentro do véu! Que o Espírito de Deus abra os olhos do nosso entendimento de modo a podermos compreender melhor o profundo significado destes símbolos preciosos.

 

 

A Mesa do Pão da Proposição

 

Moisés recebe em seguida instruções quanto “à mesa dos pães da proposição”, ou pães de apresentação. Sobre esta mesa estava disposto o alimento dos sacerdotes de Deus. Durante sete dias os doze pães de “flor de farinha com incenso” estavam dispostos na presença do Senhor, depois do que, sendo substituídos por outros, eram o alimento dos sacerdotes, que comiam deles no lugar santo (veja-se Levítico 24:5-9).

 

Escusado será dizer que esses doze pães simbolizam “o homem Cristo Jesus”. A “flor de farinha” da qual eram compostos, mostra a Sua perfeita humanidade, enquanto que “o incenso” indica a inteira consagração dessa humanidade a Deus. Se Deus tem os Seus sacerdotes ministrando no lugar santo, terá certamente uma mesa para eles, e uma mesa bem fornecida também. Cristo é a mesa e o pão sobre ela. A mesa pura e os doze pães mostram Cristo, presente incessantemente diante de Deus em toda a excelência da Sua imaculada humanidade e como alimento para a família sacerdotal. Os “sete dias” mostram a perfeição do gozo divino em Cristo; e os “doze pães” exprimem este gozo no homem e pelo homem. É possível que exista também a ideia de ligação de Cristo com as doze tribos de Israel e os doze apóstolos do Cordeiro.

 

 

O Candelabro

 

O castiçal de ouro puro vem a seguir, porque os sacerdotes de Deus têm necessidade de Luz bem como de alimento: e têm tanto uma coisa como a outra em Cristo. Neste castiçal não se faz menção de outra coisa que não seja ouro. “Tudo será de uma só peça, obra batida de ouro puro” (versículo 36). “As sete lâmpadas”, as quais se “acenderão para alumiar defronte dele”, exprimem a perfeição da luz e energia do Espírito, baseadas e ligadas com a eficácia perfeita da obra de Cristo. A obra do Espírito Santo nunca poderá ser separada da obra de Cristo. Isto é indicado, de um modo duplo, nesta magnífica imagem do castiçal de ouro. As sete lâmpadas estando ligadas à cana de ouro batido indicam-nos a obra cumprida por Cristo como a única base da manifestação do Espírito na Igreja. O Espírito Santo não foi dado antes de Jesus ter sido glorificado (comparem-se João 7:39 com Atos 19:2-6). 

 

Em Apocalipse, capítulo 3, Cristo é apresentado à igreja de Sardes como Aquele que tem “os sete espíritos”. Quando o Senhor Jesus foi exaltado à destra de Deus, então derramou o Espírito Santo sobre a Sua Igreja, a fim de que ela pudesse brilhar segundo o poder e a perfeição da sua posição no lugar santo, a sua própria esfera de ser, de ação e de culto. Vemos, também, que uma das funções particulares de Arão consistia em acender e espevitar essas sete lâmpadas. “E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Ordena aos filhos de Israel que te tragam azeite de oliveira puro, batido, para a luminária, para acender as lâmpadas continuamente. Arão as porá em ordem perante o SENHOR continuamente, desde a tarde até à manhã, fora do véu do Testemunho, na tenda da congregação; estatuto perpétuo é pelas vossas gerações. Sobre o castiçal puro porá em ordem as lâmpadas, perante o SENHOR, continuamente” (Levítico 24:1-4). Desta maneira, podemos ver como a obra do Espírito Santo na Igreja está ligada com a obra de Cristo na terra e a Sua obra no céu. “As sete lâmpadas” estavam no tabernáculo, evidentemente, mas a atividade e diligência do sacerdote eram necessárias para as manter acesas e espevitadas. O sacerdote necessitava continuamente dos

“espevitadores” e dos “apagadores” para remover tudo que pudesse impedir o livre curso do “azeite batido”. Esses espevitadores e apagadores eram igualmente feitos de “ouro batido” porque todas essas coisas eram o resultado imediato da operação divina. Se a Igreja brilha, é unicamente pela energia do Espírito, e esta energia está fundada em Cristo, que, em virtude do desígnio eterno de Deus, veio a ser, em Seu sacrifício e sacerdócio, o manancial e poder de todas as coisas para a Sua Igreja. Tudo é de Deus. Quer olhemos para dentro desse véu misterioso e contemplemos a arca com a sua coberta e as duas figuras significativas, ou admiremos o que está da parte de fora desse véu, a mesa pura e o castiçal puro, com os seus vasos e respectivos utensílios – tudo nos fala de Deus, quer seja revelando-Se em ligação com o Filho ou o Espírito Santo.

 

A chamada celestial coloca o leitor cristão no próprio centro de todas estas preciosas realidades. O seu lugar não está apenas no meio das” figuras das coisas que estão no céu”, mas no meio das “próprias coisas celestiais”. Tem “ousadia para entrar no santuário pelo sangue de Jesus”. É sacerdote para Deus. O pão da proposição lhe pertence. O seu lugar é à mesa pura, para comer o pão sacerdotal, na luz. do Espírito Santo. Nada o poderá privar desses privilégios divinos. São seus para sempre. Esteja em guarda contra tudo que possa privá-lo do gozo deles. Guarde-se contra toda a irritabilidade, a cobiça, de todo o sentimento e imaginações. Domine a sua natureza, lance o mundo fora de seu coração, afugente Satanás. Que o Espírito Santo encha inteiramente a sua alma de Cristo. Então será santo na prática e sempre ditoso. Dará fruto, e o Pai celestial será glorificado, e o seu gozo será completo.

 

Notas sobre o Pentateuco – C. H. M.

Compartilhe...