Números 9:1-14

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

  

Um ano se passou desde a saída do Egito e o SENHOR comunica a Moisés suas instruções para a celebração desta grande data. A cristandade celebra todos os anos o nascimento e a morte do Senhor, mas depois, muitos não pensam mais nisso até o ano seguinte. Por outro lado, os redimidos do Senhor têm o privilégio de lembrarem juntos os Seus sofrimentos e a Sua morte a cada primeiro dia da semana, participando da Ceia que Ele instituiu. A páscoa lembrava a base sobre a qual descansava a redenção daquele povo, o mesmo é para nós em relação a Ceia do Senhor, lembrar sua morte até que ele venha.

Os versículos 2 a 5 reforçam a obediência a tudo o que Deus ordenou quanto a páscoa. O tempo, a maneira e o que havia sido estabelecido era mantido o tempo todo. Este princípio de obediência é tão verdadeiro para nós que estamos sob a graça como foi para Israel sob a lei. Apenas uma variação era permitida, como vemos nos versículos 6 a 8.

Moisés sabia que não tinha autoridade para modificar as instruções de Deus, então ele foi ao Senhor para ouvir o que Ele tinha a dizer. Os homens em questão não foram contaminados por seus pecados, mas tinham deveres relacionados a mortos. Eles foram autorizados a comer a páscoa exatamente um mês depois, mas observando todas as ordenanças relacionadas a ela. Assim, se por um lado não havia castigo por descuido, havia provisão para deveres inevitáveis. O ensino disso pode muito bem ser aplicado em relação à Ceia do Senhor. Perder por negligência ou descuido significa perda espiritual; mas não é assim quando impedido por deveres necessários e corretos.

Outra coisa vem à luz no versículo 14. Não havia provisão apenas para quem estava impedido na data, mas, em Sua bondade, Deus também pensou no “estrangeiro”. Tal pessoa também podia participar, se observasse todas as ordenanças. Assim, enquanto sob a lei Deus tratava apenas com Israel, Ele manteve a porta aberta para qualquer estrangeiro que tivesse seu coração tocado e atraído para Ele. Esta era uma coisa que o judeu comum era lento em admitir, como vemos nas palavras de Pedro, gravadas em Atos 10:34-35. Agora, no Evangelho, todas as distinções desapareceram. Não há “nenhuma diferença”, seja na culpa ou na riqueza da graça oferecida, como declara a Epístola aos Romanos.

Como lemos, havia alguns que não estavam limpos. Eles confessaram abertamente e perguntaram a Moisés o que deviam fazer. Moisés pergunta ao Senhor. E é isto o que devemos fazer. Voltemo-nos para a Palavra de Deus em busca de respostas. Em Israel, a graça deu um recurso para qualquer pessoa que estivesse impura ou em viagem. O Senhor conhece as circunstâncias dos Seus e a Sua misericórdia os alcança, mas Ele não abaixa o Seu padrão, como por exemplo, dispensar de guardar a páscoa. Mesmo no segundo mês, ela tinha que ser celebrada de acordo com todas as ordenanças da páscoa (versículo 12). 

A lembrança da morte de Cristo é necessária em todos os lugares. Sem ela não há caminho para fora do mundo. A morte de Cristo é o fundamento necessário e o único caminho para Deus ou qualquer benção de Deus. 

Quão maravilhosa é a graça divina. Deus pensa com ternura sobre as circunstâncias no caminho que poderiam dificultar essa celebração e faz aqui uma disposição especial para isso. Mesmo para aqueles que não estão em condições, Ele permite que haja tempo para que o impuro seja limpo, e deste modo o homem guardasse a Páscoa no segundo mês. Assim como a confissão de faltas era necessária aqui (versículo 7), a Palavra hoje convida o crente a se julgar, a se examinar, antes de participar da Ceia do Senhor (1 Coríntios 11:28). Um Israelita que não se importasse em guardar a Páscoa devia ser cortado do povo (versículo 13). O Senhor pediu-nos que correspondêssemos ao Seu amor recordando-O em Sua morte. Isto não significa que um crente possa vir a perder sua salvação se for descuidado, mas ele perderá seu discernimento e paz. A participação hoje não é de forma alguma como foi no tempo da páscoa, uma obrigação a ser observada sob pena de morte (versículo 13). Por causa disso o desejo expressado pelo Senhor tem menos poder para o coração dos redimidos? Com o pretexto de que não é obrigatório, é menos grave se ausentar, quando o Senhor disse ao dar o cálice ao Seus: “Bebei dele todos”? (Mateus 26:27).

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.

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