Números 6:13-27

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

Na mesa ao instituir a ceia, o Senhor falava aos discípulos de Sua humilhação até a morte, e eles disputavam qual deles seria o maior. Eles não entenderam que o princípio do filho de Deus, do discípulo, é para ser um servo de todos pelo poder do amor de Deus atuando nele. Ser “maior” aqui é o contrário do princípio cristão. No mundo se ergue monumentos em memória de benfeitores humanos, o único monumento que o mundo levantou para Cristo foi a cruz. Mas na cruz vemos a graça. A graça floresce no vale da humildade; não é nos cumes das montanhas, mas nos vales que a prosperidade resplandece. 

A carne sempre exalta a si mesma; mas mais do que isso, nunca consegue enfrentar uma dificuldade. Como no caso de Pedro, pode nos levar ao perigo, mas nunca nos libertar. Ela nos faz cair diante dos obstáculos ou então adormece. E, ainda assim, desses mesmos discípulos, Jesus diz que eles continuariam com Ele nas Suas tentações. 

Enquanto Ele esteve aqui embaixo, o Senhor se mostrava como judeu e messias para os judeus; mas, ao subir à mão direita de Deus, tudo mudou. É importante entender que estamos ligados com Cristo em glória, não com Cristo na Terra. Confundir estas duas coisas é aplicar os princípios judaicos ao tempo atual. As riquezas, que para os judeus eram uma benção, são uma armadilha para o cristão. A nossa é uma vocação celestial, quanto menos estivermos ligados à terra, mais livres. A glória, a honra e a riqueza são apenas cadeias que, nos ligando com a terra, enfraquecem nosso verdadeiro vínculo com o céu. 

O que os judeus possuíam era externo e terrestre; rudimentos do mundo. Cristo se entregou por nós para nos libertar do presente século mal. Assim, o mundo é julgado pela cruz de Cristo. O mundo se condenou ao condenar Cristo, e tudo está quebrado entre ele e Deus. Daqui em diante, a graça é o princípio sobre o qual Deus pode agir.  

A Escritura menciona diversos nazireus: Sansão, Samuel, Amazias (2 Crônicas 17:16), João Batista. Mas o exemplo perfeito de um nazireu foi Jesus. Separado para Deus antes de Seu nascimento, aos doze anos se ocupando com os negócios de Seu Pai, a Sua consagração a Deus foi total até a morte na cruz. Vindo ao mundo, Ele “não era do mundo” e permaneceu estranho as suas festas e suas alegrias (João 7:8; João 17:14). Ele sempre foi separado da alegria humana assim como de todo mal – não havia mel assim como não havia fermento. Ele nunca permitiu que circunstâncias familiares atrapalhassem Seu ministério (Lucas 8:20-21). Vindo fazer a vontade de Deus, era inteiramente para Deus cada pensamento, palavra e agir. Sua dependência era constante (João 5:19). Ele estava além do alcance da impureza (1 Pedro 2:22). Que modelo é para nós esse querido Salvador em Seu caminho de completa devoção! Um caminho difícil, mas o único que no final aguarda aquela alegria de que o fruto da videira é uma figura, e que Ele irá compartilhar com aqueles que compartilharam Sua vergonha aqui embaixo (final de versículo 20; Hebreus 12:2, Mateus 26:29 e Mateus 25:21). 

No final do tempo do seu voto, o nazireu oferecia todos os sacrifícios. Tomar o nosso lugar aqui embaixo com o Nazireu perfeito realmente nos permite entrar nos vários aspectos de Seu trabalho na cruz. 

Deus não pode se alegrar com o mundo que matou seu Salvador. Muito tempo já passou, mas o tempo não altera esse fato. O caráter do mundo permanece o mesmo. Um convertido não pertence a ele. Se nossos corações pertencem a Jesus, é impossível não ser triste no mundo. O mundo diverte-se; dança no túmulo de nosso Salvador. 

Mas, por outro lado, o cristão se alegra com o Senhor e na sua porção celestial, da qual o mundo ignora. A alegria do cristão é uma esperança cheia de glória; mas aqui ele é sempre um nazireu e não pode compartilhar da glória deste mundo. Ele convida e ora para converter pecadores, mas não pode ter comunhão com eles. Jesus foi rejeitado pelo mundo e recebido no céu; este também é o lugar do cristão. Nosso Sumo Sacerdote foi feito mais alto que o céu. Ele nos deixou um símbolo de Seu amor no partimento do pão. Se Ele não está mais presente conosco na Terra, é porque Ele se entregou por nós. Sua ausência não revela indiferença; a Ceia do Senhor é o memorial de Seu amor perfeito para nós. 

Cristo nos leva ao reino celestial por uma vida totalmente nova. Não somos transportados para o reino do Filho do Seu amor sem possuir a Sua vida – a do último Adão, que é um espírito vivificante. Somos feitos participantes da natureza divina. A conversão não é apenas uma mudança, mas a comunicação de uma vida desconhecida para nós antes – uma vida escondida em Cristo, separada dos pecadores, separada do mundo. 

Os versículos 22 a 27 coroam o capítulo mostrando que nos separarmos para o Senhor é o caminho seguro para a bênção. 

 

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.

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