Oração: Respondida e Não Respondida – F. B. Hole

(extraído de Scripture Truth Vol. 32, 1940, página 205)

Deus sempre responde nossas orações, mas nem sempre responde nossas orações concedendo o que pedimos. Muitas vezes, ao não conceder nossos pedidos Ele indica que Sua resposta é “Não”. Na história de Elias, um personagem do Antigo Testamento, temos exemplos de oração tanto concedidas como não concedidas do modo claro e instrutivo.

A primeira coisa que sabemos sobre Elias é que “ele orou com fervor que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e seis meses” (Tiago 5:17). Como fruto desta oração fervorosa e eficaz, ele ousadamente anunciou a Acabe: “Como vive o SENHOR, Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra” (1 Reis 17:1). Aqui, em verdade, foi uma oração de fé muito genuína – uma fé que se expressou, assim como o apóstolo Tiago pede, nas obras, na forma de uma expressão profética. Sua fé na resposta completa de Deus foi tão clara e implícita que ele anunciou não apenas que a chuva cessaria, mas também o orvalho! Ele tinha certeza de que Deus responderia ao seu pedido em espírito e não apenas na letra. Deus agiu exatamente como ele pediu.

Como foi que ele conseguiu orar com tanta segurança do que ia acontecer?

As Escrituras lançam alguma luz sobre isso? Cremos que sim.

O Senhor dissera por Moisés: “Guardai-vos, que o vosso coração não se engane, e vos desvieis, e sirvais a outros deuses, e vos inclineis perante eles; e a ira do SENHOR se acenda contra vós, e feche ele os céus, e não haja água, e a terra não dê a sua novidade” (Deuteronômio 11:16-17). Sob Acabe, eles haviam se desviado e estavam servindo e adorando outros deuses, e por isso Elias esperou que Deus fizesse o que Ele disse que faria naquelas circunstâncias. Ele pediu para Deus para fazer isso; ele esperava que Deus fizesse isso; ele corajosamente anunciou que isso aconteceria. Isso foi fé.

Elias não estava orando por algo que traria consequências agradáveis para si mesmo. Ele compartilhou das misérias da seca prolongada, e sofreu junto com o povo, entretanto Deus fez uma provisão especial para ele, provisão que o preservou da fome. Era evidentemente verdade que, como ele disse. “Tenho sido muito zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos”. Ele repudiava a terrível apostasia de Israel em relação a Baal, seu coração queimava pela glória do nome de Jeová, e ele sentiu que havia chegado a hora de Deus agir no juízo que Ele havia especificado. Qualquer coisa era melhor do que Israel seguir seu caminho descendente sem controle. A vara do governo deveria ser preferida ao invés da ruína; então ele orou pelo golpe de castigo, embora fosse ser castigado entre os demais. Essa oração foi respondida.

Tiago também nos diz que ele “orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto”. Elias estava orando como mostra o relato em 1 Reis 18, no topo do Carmelo “se inclinou por terra, e meteu o seu rosto entre os seus joelhos”. Mas Tiago define o ponto em que descansou, dizendo-nos que era assim. Ele orou e mandou seu criado olhar, sete vezes, para a resposta. A resposta veio em grande medida. Houve uma grande chuva.

Mais uma vez perguntamos: como ele poderia orar com tal segurança?

1 Reis 8:35-36 juntamente com o versículo 3 do capítulo 9 fornece a resposta. Salomão havia pedido que, se o céu estivesse fechado, se houvesse oração e confissão do nome de Jeová e desvio de seus pecados, que a chuva fosse dada; e o Senhor disse a Salomão que ouvira sua oração. O povo tinha confessado o nome de Jeová e repudiado publicamente Baal por matar seus profetas, então Elias orou com plena confiança que Deus cumpriria sua palavra em misericórdia, assim como anteriormente ele cumprira em juízo. Novamente, foi uma questão de pedir a Deus que cumprisse sua própria palavra.

Mais cedo, naquele mesmo dia, Elias orou para que Deus respondesse (1 Reis 18:36) consumindo o sacrifício que ele havia preparado. Este pedido encontrou uma resposta tão notável que não apenas o holocausto foi consumido, mas as pedras do altar, junto com o pó e a água. Embora neste caso não pareça ter havido nenhuma palavra específica sobre a qual sua fé pudesse repousar, havia acontecido antes. Deus havia respondido Salomão fazendo descer fogo do céu, como também a Davi quando um período de disciplina terminou e sacrifício foi oferecido – veja 2 Crônicas 7:1 e 1 Crônicas 21:26 . Então Elias pediu uma resposta de fogo e sua confiança estava na certeza. Sua oração foi respondida.

Note que estes exemplos nos mostram claramente a confiança que podemos orar quando nossos pedidos se baseiam na Palavra de Deus. Podemos ter certeza de que Ele fará o que Ele disse que fará. Também podemos esperar que Ele manifeste o Seu poder e confirme o Seu Nome como Ele fez nos dias passados, pois Ele é um Deus imutável. Outra coisa que se destaca muito claramente é que, se oramos, não por coisas que se adequam às nossas conveniências pessoais, mas por coisas que dizem respeito a Seu interesse e glória, podemos ter uma a garantia de que seremos ouvidos e nossos pedidos serão concedidos.

No entanto, ao ler a história de Elias em 1 Reis 19, vemos outra oração sua, essa não teve resposta alguma. Foi completamente sem resposta – no sentido de não ser concedido o que foi pedido. Ameaçado por Jezabel, ele fugiu. Sua coragem falhou, em profunda depressão ele se lançou debaixo de um zimbro, e então, ele “pediu em seu ânimo a morte e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida”. Jezabel e aqueles que atuam debaixo de sua autoridade haviam procurado tirar a vida do profeta. Depois em Horebe, se queixou ao SENHOR pedindo que Ele a tirasse ante que ela fizesse. Mas o Senhor não fez nada disso.

Não são poucos os que se queixam de que Deus não responde às suas orações, quando o problema é que eles não percebem as respostas que Ele dá. Ele respondeu, mas não exatamente como pensavam que faria, e assim Sua resposta passou sem ser reconhecida. Mas no caso de Elias, esta oração foi respondida, um enfático NÃO. De fato, dificilmente pode ser imaginado um caso mais completo de uma oração não concedida, pois não só ele não morreu quando pediu, mas que ele, Elias, não passou pela morte! Ele foi o segundo dos dois homens em toda a história do mundo que foram trasladados para o céu sem provar a morte.

Este pedido de Elias foi uma oração em um momento de depressão e não uma oração de fé. Foi também uma oração puramente pessoal. Ele pediu “por ele mesmo” que pudesse morrer. Por um breve momento, Jezabel, e não Deus, encheu sua mente, e ele sentiu que gostaria de estar fora do conflito. Este é o tipo de oração em que nada é concedido. É também o tipo de oração que muitos de nós muitas vezes oferecemos. Queremos estar fora de problemas; somos influenciados por preferências pessoais; proferimos nosso clamor, mas “não somos ouvidos”.

Que pena teria sido se Deus tivesse concedido o pedido de Elias! Deus tinha coisas muito melhores reservadas para ele, carruagens de fogo iriam levá-lo ao céu e ele apareceria com Jesus no “monte da transfiguração”. Foi algo excelente Deus dizer não para ele.

E para nós também! Orações “não respondidas” não são uma tragédia. Certamente chegará um dia em que veremos que aqueles que ficaram sem resposta foram tão abençoados quanto aqueles que viram seus pedidos e orações serem realizados – talvez, como no caso de Elias, ainda mais!

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