As parábolas de nosso Senhor – O joio e o trigo

O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro (Mateus 13:24-30)

Seis das sete parábolas encontradas em Mateus 13 são divinamente descritas como semelhanças do Reino dos céus. A parábola do trigo e do joio é a primeira delas, e com ela é dada a interpretação do Salvador para Seus discípulos. O Reino do Céu, em sua forma atual, abrange todo o testemunho cristão, seja verdadeiro ou falso. Em um tempo futuro, cobrirá toda a terra, como previsto nas profecias do Antigo Testamento. É importante diferenciar o Reino do céu do próprio céu. Este é um dos erros mais comuns, e talvez o mais sério erro por conta dos seus resultados. Hoje, muitos que estão no reino dos céus não terão lugar no céu; sua profissão de lealdade ao Cristo ausente é meramente formal e falsa.

O Filho do Homem semeou a boa semente em Seu campo. O cristianismo começou assim com um número de pessoas que eram verdadeiros filhos do Reino. Satanás logo começou a trabalhar para corromper esse novo testemunho. Ele realizou seu propósito introduzindo falsos irmãos entre os verdadeiros. Isso aconteceu “enquanto os homens dormiam”, ou seja, quando os servos de Cristo se tornaram tão negligentes com os interesses de Seu Senhor e tão entorpecidos em sua percepção espiritual, que admitiram à comunhão pública do cristianismo homens que nunca deveriam ter tal permissão – pessoas não regeneradas, filhos do iníquo (Judas 4). Estes são chamados, não de ervas daninhas, mas “joio” – uma erva sem valor, mas muito semelhante ao trigo em seu crescimento inicial.

Quando se tornou manifesto que a colheita estava misturada e estragada, os servos perguntaram ao pai de família se deviam colher o joio. Ele respondeu: “Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele”. Arrancar o joio é matá-los. Da mesma maneira, o campo de trigo da cristandade só pode ser limpo matando todo falso professo do nome de Cristo. Isso é expressamente proibido e pela grave razão de que o trigo verdadeiro correria o risco de ser erroneamente enraizado por falsos servos. A proibição de nosso Senhor não foi ouvida na cristandade. Os eclesiásticos zelosos, católicos e protestantes, têm procurado, de tempos em tempos, erradicar da terra aqueles a quem julgam ser ervas daninhas, apenas para cair no próprio erro dito pelo Salvador. Alguns do melhor trigo de Deus foram destruídos no processo; muitos de seus santos mais verdadeiros foram queimados na fogueira ou martirizados. O trigo e o joio devem crescer juntos até a colheita. Isso significa que nenhum deve molestar o outro, eles devem viver lado a lado no mundo (pois “o campo é o mundo”). Ter comunhão na Igreja é outro assunto. Uma mistura tão má nunca foi contemplada na parábola.

O tempo da colheita é no fim dos tempos, pelo menos mil anos antes do fim do mundo. O Salvador reunirá todo crente verdadeiro em Seu celeiro na Sua segunda vinda, e os anjos lidarão com o que sobrar em um juízo imparcial. A glória celestial de Cristo, com toda a sua bem-aventurança é o destino de todo aquele que confessa ter sido lavado com sangue; o lago de fogo, com todo o seu sofrimento impossível de ser dito, é a porção eterna de todo professo vazio de Seu nome – essa é a diferença entre cristãos confessos e professos. Quando a separação final ocorrer, os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. De sua exaltada posição de bem-aventurança celestial, os remidos dispensarão as bênçãos de Deus por todas as eras vindouras às inúmeras miríades que serão colocadas sob seu domínio na terra abaixo. O resultado final demonstrará que os propósitos da graça de Deus não falharam, qualquer que seja o aparente sucesso do grande adversário durante o tempo presente.

W. W. Fereday

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