Números 8:15-26

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

Antes de serem apresentados como uma oferta de movimento, os levitas eram purificados e sacrifícios oferecidos por eles. Eles passavam a navalha por todo seu corpo (versículo 7) e lavavam as suas vestes. Já vimos estas figuras na consagração dos sacerdotes e com a purificação dos leprosos. Isso não corresponde à conversão, mas ao trabalho que o Espírito Santo realiza através da Palavra para que os crentes permaneçam puros. A navalha é uma figura do julgamento que temos de exercitar sobre tudo o que a carne produz. Para o servo, o orgulho em particular cresce rapidamente se a “navalha” não estiver lá para lidar com todas as suas manifestações. Além disso, quando nos lavamos, não gostamos de vestir roupas sujas. E, para servir ao Senhor, precisamos não só de uma boa consciência, mas igualmente de um testemunho prático (conduta exterior) irrepreensível. O versículo 19 nos diz que os levitas vinham depois dos sacerdotes. Nós crentes somos ambas as coisas, mas a adoração deve vir em primeiro lugar. Leia estes versículos 19 a 22 bem devagar.

Somente depois disso o levita poderia cumprir seu serviço (versículo 22). Que lição importante! Toda ocupação exige um período de aprendizado, de preparação. Para o serviço do Senhor ainda mais. Antes de começar apressadamente um serviço para Cristo, permita a Ele fazer o que, pela Sua graça, deseja cumprir em nós. Se estivermos perto de Deus em comunhão, seremos guiados por ele; caso contrário, somos guiados por Sua providência eterna, como cavalos e mulas, com estribos e freios, para não tropeçarmos. No deserto, Deus conduz seu povo a sua presença, com a sua presença. Não temos nós hoje o Espirito Santo de Deus habitando em nós para nos guiar até Ele, em Cristo, no “deserto” deste mundo?

A partir dos vinte e cinco anos, cinco anos preliminares, para dos trinta aos cinquenta anos, os anos de maturidade e vigor, os levitas faziam “o serviço no ministério da tenda da congregação”. Depois dos cinquenta, o trabalho pesado terminava, mas isso não acabava com o privilégio de servir, apenas alterava seu caráter. Hoje, todo santo é chamado para o “serviço levítico”, bem como ao serviço sacerdotal. Os versículos finais do capítulo 8 mostram a diferença entre ministério e serviço, ou fazer a guarda, o primeiro é um trabalho pesado e o segundo um trabalho de supervisão. Os levitas são uma figura dos cristãos, redimidos, purificados e separados para servir ao Senhor, não possuem herança neste mundo.

Existe sempre o perigo do trabalho e o obreiro se tornarem o objetivo em vez do Senhor. Estejamos sempre atentos para evitar isso. É um grande mal, que entristece o Espírito Santo, cujo trabalho tem sempre por fim exaltar o nome de Jesus: é ofensivo ao Pai, que quer sempre fazer soar aos nossos ouvidos e chegar ao mais profundo dos nossos corações estas palavras procedentes do céu aberto e ouvidas no monte da transfiguração: “Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o” (Mateus 17:5). Isto é totalmente contrário ao pensamento do céu, onde todos os olhos estão em Jesus, cada coração ocupado com Jesus, e onde o único brado eterno, universal e unânime será “Digno és”.

Meditemos nisto profundamente e o tempo todo com a finalidade de nos abstermos de tudo quanto se aproxima, nos leva ou se parece com a exaltação do homem – do ego – das nossas palavras e dos nossos pensamentos. Busquemos com mais ardor a senda tranquila e discreta em que o Espírito do manso e humilde Jesus nos guiará sempre na conduta e no serviço.

Que possamos estar de tal forma em Cristo, receber d’Ele, dia a dia, momento a momento, a cada passo, o azeite puro, que os nossos corações brilhem para louvor d’Aquele em quem temos TUDO e sem o qual NADA absolutamente podemos fazer.

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.

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