Números 12:1-16

 

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

  

Logo no primeiro versículo, uma figura do Senhor Jesus, tomando para Si mesmo uma noiva de entre os Gentios – Moisés se casou com uma mulher que não fazia parte do povo de Israel, isso desperta o ciúme no povo de Deus. Miriã e Arão – a profetisa e o sacerdote – são figuras daquele que tem a palavra e o acesso a Deus, o duplo caráter do povo de Deus. A proeminente posição concedida por Deus a Moisés despertou inveja nos seus corações. No Novo Testamento, vemos esta ira claramente no livro de Atos, onde os Judeus ficavam muito irados todas as vezes que o evangelho era pregado aos gentios. Aqui em Números 12, Moisés é em todos os aspectos uma figura de Cristo, fiel em toda a casa Deus, “boca a boca falo com ele, e de vista, e não por figuras” (versículo 8). A posição mais gloriosa para Moisés foi quando ele se separou do povo e armou sua tenda fora do arraial.

Neste capítulo, vamos tratar de algo do nosso dia a dia, “a língua”, diz Tiago, “é um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal” (Tiago 3:6 em diante). Mais uma vez comprovamos os seus estragos. Não aqui sob a forma de murmúrio entre os “estrangeiros” (capítulo 11), mas de críticas e maledicência (o veneno que sai de nossos lábios todos os dias) que contaminam os membros mais honrados da família dos líderes do povo: Arão, o sumo sacerdote e Miriã, a profetisa (Êxodo 15:20). 

“Falou o SENHOR somente por Moisés? Não falou também por nós?” (versículo 2). Muitos hoje afirmam terem recebido uma palavra inspirada de Deus, mas Deus hoje fala pelo Filho, o Verbo, sua Palavra registrada no mais valioso livro da história da humanidade, a Bíblia. Ela possui a revelação completa de Deus. Todo aquele que profere uma “revelação” falsa, lembre-se, “o Senhor ouviu isso”. 

No nosso capítulo, as palavras maliciosas talvez tenham sido sussurradas “ao ouvido” no maior segredo (Lucas 12:3). Mas… “O Senhor ouviu” (versículo 2 e Números 11:1). Nunca nos esqueçamos de que o Senhor ouve no céu as nossas observações mais confidenciais. Moisés não diz nada, ele era “mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra”, mesmo quando criticado, não se defendia, mas deixava tudo com o Senhor, e o Senhor cuidava do problema. O oposto da mansidão é a auto-afirmação. Toda vez que um desafio aos direitos do Senhor está envolvido, sua ira acende-se com justiça, mas para sua própria defesa, sua extrema mansidão é demonstrada por seu silêncio. Assim, é Deus quem toma a defesa de Seu servo. O Senhor responde e age prontamente. Ele convoca os três envolvidos no tabernáculo, e então chama os dois culpados para dar um passo à frente. A gravidade do castigo revela o pecado cometido. Miriã está com lepra. Pela primeira vez, Moisés abriu a boca para interceder por sua infeliz irmã para que ela pudesse ser curada. O Senhor ouve, mas há uma pena.

A falta de fé no Senhor sempre atrapalha a atividade da graça. Como vimos aqui, todos são afetados. A nuvem havia deixado o tabernáculo, um sinal que deveriam seguir pelo deserto, mas isso não aconteceu. Miriã, quem provavelmente levantou a questão, é ferida de lepra e Arão, um homem facilmente influenciado pelos outros como vimos no caso do bezerro de ouro, reconhece seu erro e intercede por ela. Moisés, que foi injustiçado, teve que interceder. O povo interrompeu sua jornada por sete dias. Tudo isso nos lembra o que é dito em 1 Coríntios 12:26. Devemos ter algo sempre em nossos corações e mentes, o Senhor Jesus é o supremo e incontestável Cabeça da igreja. 

Que o Senhor nos preserve das “invejas e de toda fala mau”! (1 Pedro 2:1).

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.

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