Levítico 16:23-34

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

 

 

Veja quão grande e complexo para o sumo sacerdote e seus filhos era o trabalho necessário para tirar os pecados. E todo esse serviço era eficaz apenas por um ano. Essa obra de expiação deveria acontecer todos os anos no décimo dia do sétimo mês, embora cremos que não há registro no restante das Escrituras de sua observação em Israel. Ano após ano era para lembrar o povo de seus pecados e dar-lhes em tipo um acerto de contas dos pecados cometidos, e uma limpeza do santuário e seu sistema religioso terreno. Um dia para, em humilhação, afligir suas almas em autojulgamento e pararem com suas obras. Por isso, lembrados de seus pecados, o dia era para ser de aflição, luto e cessação do trabalho. Assim, foi mostrado a Israel que na obra da expiação suas obras não tinham lugar.

Mas a fonte dos pecados, o coração do homem, não era purificada, e este coração maligno não deixaria de produzir ações más ao longo do novo ano. Era sempre necessário repetir estes sacrifícios. O sumo sacerdote passava seu ofício de pai para filho, “porque, pela morte, foram impedidos de permanecer” (Hebreus 7:23-25). Tudo era feito cuidadosamente e tudo nos fala da perfeição da obra de Deus. 

 

Quão maior é a obra de Cristo em toda a sua realidade, em toda a sua abrangência, exigindo Seu próprio sacrifício! Para tirar o pecado do mundo e anular todas as suas consequências, mas também para alcançar sua fonte – o coração do homem – e purificá-lo, Jesus tem “um sacerdócio imutável”. Ninguém tem a menor participação em Sua obra. O que o povo fazia durante esta grande obra do sumo sacerdote? Não podiam e não faziam nada além de afligir sua alma. A seu favor, uma obra foi realizada e sobre essa obra eles descansaram. Isso também é tudo que temos que fazer! Descansar sobre a obra plenamente suficiente e perfeita do Senhor Jesus.

A palavra usada com frequência no Antigo Testamento é “expiação”, cujo significado literal é “cobertura”. No Novo Testamento é remissão. Lemos em Hebreus 10:18, que, “onde há remissão destes, não há mais oferta pelo pecado”. A palavra “remissão” significa “perdoar” (esquecer, “não me lembrarei dos teus pecados” – Isaías 43:25) e não apenas uma cobertura. Assim, no Antigo Testamento, encontramos uma cobertura provisória do pecado na paciência de Deus, aguardando o completo perdão do pecado, que só foi realizado pela morte e ressurreição de Cristo.

Assim, em Levítico 16 temos uma exemplificação notável do fato de que a lei tinha apenas uma sombra de coisas boas vindouras e não a própria imagem das coisas, e que, consequentemente, esses sacrifícios anuais não podiam “fazer perfeitos aos que se chegam a Deus” (Hebreus 10:1). Que possamos agradecer a Deus pela posição privilegiada que estamos de sermos purificados de uma única vez, “libertos do pecado”.

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.

 

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