Levítico 11:1-28 – Vamos começar a falar de puro e impuro?

(para maior proveito, ore, leia na Bíblia os versículos indicados e medite nos comentários)

Os primeiros capítulos de Levítico envolvem a beleza e a santidade de nossa associação com o Deus vivo. Neste capítulo, começaremos a lidar com a questão da nossa associação com os outros no mundo.

Depois dos sacerdotes terem sido estabelecidos e o tabernáculo funcionando, eles precisavam conhecer a diferença entre o limpo e o impuro.  Nós somos sacerdotes diante de Deus. Também precisamos aprender essa diferença.  

Daqui até o capítulo 17, vamos encontrar sete partes, cada uma ensinando o que é limpo e o que é impuro de uma determinada coisa.  

Agora iremos falar de comida limpa e pura. Precisamos conhecer a diferença entre o limpo e o impuro nas coisas ao nosso redor. Qualquer coisa impura nos causará dano. 

A razão para algo ser proibido é simplesmente por causa de um significado espiritual, não que houvesse um mal na própria criatura. Isso é claramente visto em Atos 10:9-15 e em Atos 10:28. Em uma visão, o Senhor disse a Pedro para comer todos os tipos de animais. Pedro se opôs, mas o Senhor insistiu. Então ele percebeu que os animais impuros representavam pessoas, isto é, os gentios, como Pedro disse em Atos 10:28, que Deus lhe havia mostrado que não deveria chamar qualquer homem imundo. Antes da cruz, Israel era estritamente separado dos gentios porque os gentios eram considerados impuros para eles, mas o sacrifício de Cristo purifica todos os que confiam nEle como Salvador, sejam judeus ou gentios, portanto Deus removeu a barreira entre animais limpos e imundos, “porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças” (1 Timóteo 4:4).

 

Como o Senhor Jesus explica, não são as coisas que entram que contaminam o homem, “mas o que sai dele, isso é que contamina o homem” (Marcos 7:15). Portanto, esta distinção entre animais puros e impuros tem apenas aplicação espiritual para o cristão. Quatro grupos de animais são considerados neste capítulo: quadrúpedes, peixes, aves e répteis. Para ser considerado limpo, o primeiro grupo tinha que combinar duas condições: ruminar e ter o casco fendido. A pureza do crente depende do modo como ele se alimenta (estudo da Palavra) e, também, do modo como ele anda (obediência a Palavra). 

Indo um pouco além nestas duas características: (1) unhas fendidas (casco dividido) e (2) ruminar (versículo 3). As unhas fendidas permitem que o animal ande pela lama sem atolar nela. Assim, nossa comunhão não é com aqueles que estão ocupados em sua caminhada pelos assuntos desta vida, mas com aqueles que são dependentes da graça divina para suportá-los através do mundo, pois o item 2 (ruminar) fala de dependência em vez de autossuficiência, como o item 1 pode dar a entender.

Ruminar é típico do caráter da meditação, tomar tempo para digerir a verdade da Palavra de Deus. Assim como os cascos indicam a caminhada através do mundo, ruminar fala da preocupação com a honra de Deus. Estas duas características tornam o animal puro. Entre os exemplos dados, temos o camelo. Ele rumina, mas não tem o casco dividido, uma figura daqueles que demonstram honrar a Deus, enquanto sua caminhada é manchada pela lama do mundo. É possível ter a aparência de ser muito espiritual, mas é vaidade total, pois não há caminhada cristã, seus pés são incapazes de caminhar na senda da fé cristã.

Os suínos no entanto (versículo 7) tem a unha fendida, mas não ruminam. Há pessoas que aparentam ter capacidade de caminhar corretamente, concentram-se na retidão moral, mas ainda não tem o coração para aprender a Palavra de Deus, nenhuma meditação sobre a pessoa de Cristo que se senta à direita de Deus. Eles podem ter os pés que podem levá-los através da lama do mundo, mas em vez disso, embora eles possam até mesmo serem lavados (não salvos, mas externamente limpos), eles preferem voltar a chafurdar na lama (2 Pedro 2:22). Algumas denominações ou religiões demonstram enfatizar a moralidade, vangloriando-se em coisas como não beber ou comer isso e aquilo, mas o Senhor Jesus não é o objeto de seus pensamentos e a lama do ganho material normalmente é o seu foco. O crente é advertido para não ter qualquer comunhão com tais, nem camelos, nem suínos e outros.

 

Para os peixes, duas características também são necessárias: barbatanas e escamas. Sem barbatanas, como ele pode avançar? Como pode lutar contra a força da correnteza? Isso fala do conflito dos crentes tendo que gastar energia para progredir nas coisas de Deus. E sem escamas, o corpo não está protegido. Resistir à atração do mundo, sua forma de pensar, as suas comodidades e tudo que ele oferece é o meio pelo qual um jovem crente pode permanecer limpo. Como podemos ter comunhão espiritual com alguém que não tem qualidades espirituais? O Senhor chama de “abominação”, portanto, deve ser repulsivo para um crente

 

As aves impuras eram aquelas que comem carne e que comem qualquer coisa sem distinção. Essas aves impuras são típicas do que é satânico (Mateus 13:4 e 19), pois Satanás é “o príncipe do poder do ar” e o “príncipe deste mundo”. Isso nos mostra que se alimentarmos nossa mente com o que vem da carne, se formos descuidados sobre o que lemos ou as situações apresentadas pelos meios de comunicação, seremos inevitavelmente contaminados por essas coisas. 

 

As aves limpas, porém, não eram proibidas, pois falam do que é genuinamente celestial, como é visto em Colossenses 3:2-3: “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Aqueles que têm esta atitude são bons companheiros para os crentes. Há certas aves que são típicas do Senhor Jesus, algumas inclusive usadas nas ofertas, como em Levítico 1:14-17, rolinhas ou pombos. No batismo do Senhor Jesus, nos é dito que “Ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele” (Mateus 3:16). Este é um precioso contraste com Gênesis 15:11, onde os abutres desceram sobre as carcaças do sacrifício de Abrão com o objetivo de devorar seu sacrifício, assim como Satanás tenta destruir o valor do sacrifício de Cristo. Abrão, o homem de fé, expulsou os abutres.

Por fim, os répteis e os animais semelhantes, uma figura do poder do mal. É abominação! “Abominai o que é mau” é dito em Romanos 12:9. Insetos que voam, coisas rastejantes voadoras simbolizam aqueles que professam o que é celestial, mas comprometem isso com a mente terrena: suas vidas são, portanto, contraditórias. Filipenses 3:18-19 nos fala sobre estes, os muitos que “andam”, isto é, fazem uma profissão de caráter celestial, mas realmente fixam suas mentes em coisas terrenas. O crente não deve ter comunhão com estes. No entanto, se o inseto tinha pernas articuladas com as quais podia saltar sobre a terra, isso era permitido como alimento. Pois, embora tivesse contato com a Terra, pode saltar acima do nível da terra, uma figura da fé que se eleva acima das circunstâncias. Estes podem nos alimentar.

Texto baseado em diversos autores que se reuniam apenas ao Nome do Senhor nos séculos XIX e XX.

 

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