Casamento cristão – W. J. Hocking – final

 

(Gênesis 2:18-24; Mateus 19:4-6; Efésios 5:22-33)

 

 

Fazendo um novo lar

 

Outra característica da vida piedosa do casamento que se destaca nesta passagem é que a união matrimonial envolve o estabelecimento de uma nova família. O apóstolo diz: “Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne” (versículo 31). Ao entrar no relacionamento matrimonial, duas casas paternas são desocupadas e um novo lar cristão é estabelecido pelo casal.

 

As vantagens e a influência de um lar verdadeiramente piedoso não podem ser facilmente subestimadas. Como uma característica nacional, a vida doméstica não é cultivada nos moldes das escrituras agora como era antes. Famílias totalmente unidas pelos laços de piedade e andando juntas no temor do Senhor não são encontradas com tanta frequência como deveriam.

 

É um testemunho notável do valor na estima divina do lar que, na história bíblica do homem, a vida familiar vem antes da vida nacional. Grande parte do livro de Gênesis é dedicada ao registro da vida familiar separada no mundo como uma testemunha do Deus vivo e verdadeiro contra a influência corruptora da idolatria; enquanto a história nacional começa no Livro do Êxodo.

 

Esta forma de testemunho de Deus é extremamente necessária hoje e cabe ao casal recém-casado organizar um lar que, em seu propósito principal, seja inteiramente guiado pela vontade do Senhor. Sob tal direção, o lar se tornará um centro a partir do qual a luz da verdade de Deus brilhará sobre as trevas e a impiedade do mundo a sua volta. Aqueles que ali vivem serão reconhecidos como servos de Cristo.

 

Um lar não deve ser confundido com uma casa. Um arquiteto projeta a casa, mas o amor e a ordem constroem um lar. É importante que no novo lar cristão predomine uma política de comum acordo entre marido e mulher; “e serão dois numa carne”. Particularmente nas coisas, a ação combinada voltada para Deus deve prevalecer. Os antigos hábitos e as atividades espirituais até agora praticados por cada um não precisam cessar, apenas podem agora ser buscados em espírito de oração com a energia aprimorada que a concórdia e a conversa fornecem ao serviço cristão. As duas pessoas felizes se unirão como nunca antes em “trabalhar para e com o Senhor”. E o primeiro efeito para o bem e as bênçãos não diminuirá, mas antes será aumentado pela união íntima de dois corações devotados ao Senhor.

 

 

Alegrias em dobro

 

O pastor na parábola de nosso Senhor procurou em lugares solitários as ovelhas que estavam perdidas, e seu sucesso em encontrá-las foi uma alegria para ele. Mas na solidão do deserto essa alegria foi restringida. Ele queria alguns corações para compartilhar sua alegria. E “chegando em sua casa”, ele reúne seus amigos e vizinhos dizendo: “Alegrem-se comigo; pois encontrei a minha ovelha perdida” (Lucas 15:6).

 

O lar é a esfera da alegria, especialmente da alegria privada e pessoal. As alegrias da vida de casado são mais do que duplicadas em intensidade apenas porque são compartilhadas pelos dois que se tornaram um e que agora são tudo um para o outro. Pequenos assuntos trazem grandes alegrias nas intimidades da vida doméstica, nas quais estranhos não podem se intrometer.

 

A oferta diária de louvor e ação de graças a Deus, não mais estritamente pessoal para cada um, tem um novo fervor, para o qual cada um contribui com o coração agradecido. As orações conjuntas de marido e mulher são as mais poderosas em sua intercessão, visto que são oferecidas do coração daqueles a quem Deus uniu. Esses exercícios devocionais trazem consigo suas próprias alegrias peculiares e quase inexprimíveis, que são ainda mais doces ao paladar porque são compartilhadas juntas no novo lar.

 

No serviço ao Senhor, cada um é fortalecido pelo outro, e o que poderia estar faltando em um deles é fornecido pelo outro. Novas formas de serviço se tornam possíveis por meio de desejos e esforços conjuntos. Quando um Apolo precisava de instrução nas coisas do Senhor, a casa de Áquila e Priscila estava aberta para recebê-lo; e o marido e a esposa unidos mostravam o caminho de Deus mais perfeitamente para ele (Atos 18:24-28).

 

Eles concordaram em usar a conveniência de sua casa para o benefício espiritual de alguém que, embora não carecesse de zelo e habilidade, era imaturo na fé. E o piedoso casal teve a alegria de descobrir que a hospitalidade e a atmosfera cristã de sua casa foram aproveitadas na nova vida de Apolo. O recém-casado pode muito bem tentar imitar o serviço doméstico de Áquila, Gaio e Lídia, conforme registrado no Novo Testamento. Será uma nova forma de serviço para eles e está ao alcance do casal.

 

 

Dividir a tristeza

 

Novas lares cristãos são tão brilhantes, frescos e alegres que pode parecer rude sugerir que algum dia a tristeza será uma visita indesejada. Mas deve ser assim. Tribulação de algum tipo é inevitável em todas as famílias; mas se o Senhor estiver lá, os que ali vivem terão Sua paz. Nuvens negras de trovão podem cruzar o azul brilhante acima, mas o crente sabe que o sol ainda brilha no céu e que o arco-íris aparece na chuva.

 

Além disso, na vida de casado, há dois corações para suportar a mesma tristeza, e cada um se esforça para assumir a maior parte da tristeza e da perda. O homem forte protege sua parceira do golpe iminente, e a esposa amorosa esconde em seu peito muitas angústias para que seu querido marido não tenha ainda mais para suportar. Mas compartilhar é melhor do que esconder. Homens e mulheres se fortalecem nas horas de tristeza pela simpatia; e não há simpatia tão elevada e tão eficaz quanto aquela que habita na vida doméstica cristã.



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