As parábolas de nosso Senhor – Os dois filhos

Um homem tinha dois filhos e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas, depois, arrependendo-se, foi. E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi (Mateus 21:28-30)

Nenhum pregador esteve tão disposto a argumentar quanto o Filho de Deus e nenhum outro foi tão incisivo ao lidar com críticos tão contenciosos quanto Ele. E não é de admirar; Aquele que sonda todos os corações, conhecia perfeitamente os verdadeiros motivos daqueles que o atacavam; e sendo Ele mesmo a verdade, sabia exatamente o que era necessário em todas as ocasiões.

Durante sua última semana em Jerusalém, ele foi muitas vezes atacado pelos líderes religiosos de Israel. Em uma dessas ocasiões, após expor a incompetência espiritual deles para o ofício sagrado, Ele proferiu a parábola dos dois filhos, na qual é apresentado o caso sem esperança de homens que dizem e não fazem. O filho rebelde, que a princípio se recusou a fazer a vontade de seu pai, representa os publicanos e as meretrizes. Imersos em iniquidade, eles ouviram as severas denúncias de João Batista e curvaram seus corações em verdadeiro arrependimento diante de Deus. Quando o ministério da graça do Salvador alcançou seus ouvidos, eles o aceitaram e, assim, tornaram-se verdadeiros herdeiros do Reino. O filho que prometeu obediência, mas não obedeceu, representa os sacerdotes e fariseus. Estes, impregnados de religião, que desprezavam profundamente os “publicanos e pecadores”, eram de fato os verdadeiros hipócritas. Nada poderia ser mais cortante do que as palavras do Salvador a respeito deles em outra ocasião: “Fazei e observai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem” (Mateus 23:3). Para tais homens, nenhuma sentença poderia ser mais justa do que esta: “Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no Reino de Deus”.

Esta parábola deve despertar os pensamentos mais sérios na mente dos crentes atuais. Ao nosso redor estão aqueles que “professam e se denominam cristãos”, com seus muitos líderes, pastores e toda sorte de títulos. De tudo isso Deus demanda fidelidade. Ações, não palavras, são Sua santa demanda. Um piedoso “Senhor, Senhor”, nunca pode enganá-Lo. A verdadeira fé no nome do Salvador e no sangue que Ele derramou produz santidade, separação do mundo e devoção à vontade de Deus conforme revelada nas Escrituras. Onde essas coisas não são vistas, a profissão é uma mera farsa, que pode passar despercebida aos homens no mundo atual, mas será totalmente exposta em um momento futuro. Por mais surpreendente que possa parecer, é provável que uma pessoa religiosa se perca para sempre. Mas é igualmente provável que multidões do mais vil da terra sejam encontradas na bem-aventurança da casa do Pai quando chegar o momento da reunião. A própria iniquidade destes últimos os dispõe a procurar o rosto do Salvador e a se valer de Sua grande salvação. Como o ladrão crucificado que disse: “Senhor, lembra-te de mim”, seu clamor de arrependimento foi ouvido e o perdão divino foi concedido a ele de forma plena e gratuita. A salvação é totalmente de graça e é a parte feliz de todo verdadeiro crente, onde ele estiver.

W. W. Fereday

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