As parábolas de nosso Senhor – As dez virgens

O Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. E, tardando o esposo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro! Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta! E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir (Mateus 25:1-13).

Esta parábola descreve profeticamente a conduta dos cristãos professos em relação à esperança da vinda do Senhor. É certo que, quando o Filho de Deus entrou na casa do Pai, deixou a promessa de voltar novamente e reunir para Si todos aqueles por quem morreu (João 14:3). Todos deveriam olhar com fervoroso desejo para o cumprimento dela.

“O Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas”. O cristianismo é uma ordem celestial de coisas. Quando realmente envolve o coração de um homem, ele o coloca inteiramente fora do presente mundo mau, com o rosto voltado para a glória de Deus. O fato de seu Salvador não estar mais aqui estragou o mundo para o cristão. Como um estranho aqui embaixo, ele espera do alto a vinda de Cristo. O objetivo incessante de Satanás é perverter o caráter celestial do cristianismo; por isso vemos o uso de coisas mundanas com os quais os líderes religiosos enchem a mente daqueles que os seguem – bazares, shows e coisas do gênero.

As virgens são divinamente divididas em dois grupos – as prudentes e as loucas; a diferença essencial é que um grupo tinha azeite em suas vasilhas com suas lâmpadas e o outro não. O azeite fala do Espírito Santo, que é o grande presente de Deus para todos os que creem no Evangelho (Efésios 1:13). Quem não tem o Espírito de Deus não é cristão, quaisquer que sejam suas pretensões (Romanos 8:9). “Tardando o esposo, foram todas tomadas de sono e adormeceram”. A esperança da vinda do Senhor para o Seu povo, que tanto incendiou as almas dos crentes nos dias dos apóstolos, se perdeu quando os apóstolos não existiam mais. Desde então, os homens na cristandade falam apenas o dia do julgamento no final de todas as coisas. Muitos escritos antigos reconhecem essa verdade solene, mas sobre a descida do Salvador para encontrar Seus santos nos ares, nenhum foi encontrado durante estes séculos.

Mas o clamor da meia-noite foi dado. O século XIX testemunhou um reavivamento da esperança. De um extremo ao outro da cristandade, o clamor agora ressoa: “Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!”. Sob esse poderoso clamor, multidões de verdadeiros crentes -“virgens prudentes” – despertaram e se levantaram, livres de associações mundanas, religiosas ou não, e retomaram a atitude original de espera da Igreja de Deus. As virgens loucas também estão cheias de atividade, embora em uma direção errada. Percebendo que algo está faltando, estão redobrando seu zelo religioso, na esperança de assim se adequarem ao Noivo que está chegando. Sacramentos, rituais, cultos da família, dos empresários, campanhas e formalidades de todo tipo são no que perseveram e colocam sua confiança.

Nossa parábola mostra que, quando o noivo chegou, “as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta”. Estar pronto consiste, não na atenção às formalidades religiosas, mas na fé não fingida no nome do Salvador e no Seu sangue expiatório. Somente aqueles em que isso é verdade se encontram do lado direito da porta, quando chegar o momento crítico. Os de fora apelam em vão: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta!”. Mas a única resposta possível é: “Em verdade vos digo que vos não conheço”. Os cristãos verdadeiros e os meramente professos, como as virgens sábias e loucas, são semelhantes em sua profissão, mas o retorno do Senhor do céu tornará claramente manifesto. quão profundo é o abismo moral que realmente separa uma classe da outra.

W. W. Fereday

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