As parábolas de nosso Senhor – A figueira na vinha

Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi procurar nela fruto, não o achando. E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não o acho; corta-a. Por que ela ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque; e, se der fruto, ficará; e, se não, depois a mandarás cortar (Lucas 13:6-9)
A história de Israel é a história do homem. O tratamento especial da parte de Deus com essa nação serviu para trazer à tona o mal incorrigível da natureza humana. Testado de todas as maneiras, dotado de todos os privilégios concebíveis, cercados pelo cuidado e atenção divinos, o homem é um fracasso sem esperança. Ele não produz fruto para Deus. A parábola da figueira na vinha mostra isso com toda a clareza.
A cidade de Jerusalém acabara de sofrer um choque doloroso. O governador romano, Pilatos, massacrou diversos galileus que haviam ido até lá para oferecer sacrifícios. Alguns relataram isso ao Senhor Jesus, desejando ouvir Sua opinião sobre o assunto. Em Seu modo de sempre, Ele aproveitou a oportunidade para dar um golpe direto na consciência daqueles que O questionavam. “Vocês acham que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, vos digo; antes, se vos não arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lucas 13:1-3). 
É muito mais fácil imputar maldade nas pessoas atingidas por uma calamidade esquecendo totalmente o fato de que o homem como homem – em qualquer posição e em todos os lugares – é merecedor apenas do juízo de Deus. O Salvador, portanto, acrescentou a parábola de hoje, na qual é demonstrado que toda a nação (não apenas alguns galileus) era totalmente inútil para Deus e, consequentemente, caminhava para julgamento. A vinha e a videira representam a nação de Israel (Isaías 5; Salmo 80); a figueira plantada na vinha representa o remanescente de Judá que retornou do cativeiro na Babilônia. Um brilhante testemunho de Deus deveria ter saído de um povo tão graciosamente abençoado; ao invés disso, por conta do seu mal e hipocrisia, “o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós” (Romanos 2:24). Os “três anos” sugerem os vários testes por meio da lei, dos profetas e de Cristo (Atos 7:51-53). O coração do povo não foi alcançado por nenhuma deles. Deus ainda estava sem retorno deles. Mais uma oportunidade – apenas uma – deveria ser concedida em resposta ao pedido do vinhateiro. Esse vinhateiro não é outro senão o Senhor Jesus Cristo, que orou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34). A nova oportunidade foi o testemunho do Espírito Santo após Cristo subir ao céu. Isso resultou no apedrejamento de Estevão e na expulsão de outras testemunhas de Cristo (1 Tessalonicenses 2:15). A figueira foi, portanto, cortada: a nação culpada foi expulsa da terra pelo justo juízo de Deus.
A hora da cristandade se aproxima. Vinte e um séculos de luz do evangelho produziram pouco além de mundanismo, orgulho e blasfêmia – todos perpetrados sob a proteção do santo nome de Cristo. A paciência divina, exercitada por muito tempo, logo chegará ao fim. Então o golpe cairá, e a cristandade será o cenário dos mais severos juízos de Deus. Que cada um olhe para si mesmo. Qual a resposta do nosso coração ao alto custo do sacrifício realizado no Calvário e às riquezas da graça divina proclamadas em virtude dele? Os frutos para Deus somente podem começar a serem produzidos quando o coração aprecia a Cristo e Seu sangue expiatório.
W. W. Fereday
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