O FALAR EM LÍNGUAS E O MOVIMENTO CARISMÁTICO

Capítulo 1 – Línguas… força espiritual, força satânica ou o quê?

 

Esta é a pergunta que os cristãos enfrentam enquanto pensam no fenômeno do movimento de falar em línguas, um movimento que ultrapassou os círculos pentecostais e se estendeu a quase todos os segmentos de grupos que professam ser cristãos.

O que é o movimento de línguas?

Não é fácil definir o movimento de línguas porque falta a estrutura organizacional, assim como a uniformidade de princípios e de prática. Os fanáticos desta ideia dizem que falar em línguas (isto é, usando palavras que outros não entendem, acompanhadas em geral de um comportamento altamente emocional), é a única evidência válida de que alguém recebeu o Espírito Santo. Eles asseguram que quem não fala assim não é um cristão no sentido completo da Palavra de Deus. Outros creem que falar em línguas é só um dos dons espirituais e que, portanto, não se deve esperar que esteja presente na experiência de todo cristão.

Para ser justo com todos os grupos, se deve dizer que a maioria dos que falam em línguas reclamam ser aliados de Jesus Cristo como Salvador e creem que a bíblia é a Palavra inspirada de Deus. Porém, seguidores deste movimento podem ser encontrados entre os grupos protestantes liberais, assim como nas igrejas católicas e até em religiões não cristãs. Às vezes se encontram pessoas que não têm a Deus em mente, nem professam nenhuma religião, senão que buscam uma sensação psíquica por meio da experiência de falar em línguas.

Há muitas e diferentes opiniões e atitudes entre os que se opõem ao movimento de línguas. Alguns psicólogos sentem que a prática de falar em línguas obedece a desordens mentais e até transtornos do sistema nervoso. Entre os cristãos evangélicos, amiúde há sentimentos de conflitos, às vezes de ridículo, outros de medo; muitos têm a insistente pergunta bem dentro do coração: Estou perdendo uma parte vital da experiência cristã? Falta à minha vida a plenitude do Espírito Santo?

Muitos crentes estão convencidos de que grande parte dos resultados de falar em línguas, hoje em dia, é uma atividade de Satanás e de seus agentes. Um escritor disse: “Um novo movimento do engano satânico… a concentração em si mesmo toma posse e substitui os verdadeiros valores espirituais por emoções baratas. O afeto pelas emoções psíquicas é então uma substituição da verdadeira busca da Palavra de Deus, e impede o crescimento até a maturidade”.

Outro cita várias histórias de casos nos quais os que diziam ter o dom de línguas falaram em um idioma estranho, mas não estavam orando nem adorando a Deus. Pelo contrário, estavam maldizendo a Deus, pronunciando as palavras mais obscenas ou baixas e blasfemando.

É muito, muito importante que todo cristão que deseje saber e seguir a Palavra de Deus se faça a seguinte pergunta: “Até que ponto a experiência de falar em línguas sobrenaturais, tal como a Bíblia ensina, é comparável com a experiência dos devotos do movimento de línguas de hoje em dia?” Uma consideração e comparação das Escrituras que tratam deste assunto, nos ajudarão a responder esta pergunta.

“Falarão novas línguas”

Depois de dar aos discípulos a grande comissão de ir pregar e batizar por todo o mundo, o Senhor Jesus falou de certos sinais que os crentes poderiam fazer. Entre eles estava a habilidade de falar em novas línguas.

A palavra grega para “línguas” é “glossa”. Daí vem o termo “glossolalia” que com frequência se usa para denominar a faculdade de falar em línguas. A palavra língua tem três significados:

1) A língua como órgão da fala; por exemplo, em Mc. 7:33 “E, tirando-o à parte, de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos; e, cuspindo, tocou-lhe na língua.”

2) Um idioma, como em Ap.5:9 “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação”.

3) O dom sobrenatural de falar em outro idioma sem tê-lo aprendido, como em 1 Cor. 14:2 “Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios”.

Em nenhum desses casos faz-se referência a falar palavras completamente incompreensíveis.

O contexto desta passagem indica que a ideia é a de falar em línguas que nunca foram aprendidas formalmente. É um dos sinais sobrenaturais que o Senhor Jesus disse que acompanharia o recebimento do Evangelho. A história bíblica, assim como a da Igreja, nos ensina que estes sinais perderam sua importância e proeminência à medida que o Evangelho se estabilizou. Por exemplo, os milagres especiais que Paulo fez ao sarar os enfermos em Éfeso (Atos 19:11, 12) já não se veem dez anos mais tarde, quando deixou Trófimo enfermo em Mileto (2 Tm. 4:20), ou quando aconselhou Timóteo a tomar um pouquinho de vinho para seus problemas de estômago (1 Tm. 5:23).

Línguas no livro de Atos

 

Atos 2:1-12 diz: “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (vs 4).

Segundo a promessa do Senhor Jesus Cristo, no dia de Pentecostes o Espírito de Deus desceu e batizou a todos os crentes em um só corpo. O Espírito Santo os encheu a todos e começaram a falar em línguas. Deus usou este meio para que o evangelho fosse conhecido entre os judeus de todas as nações que naquele momento estavam em Jerusalém. Note-se que cada pessoa ouvia falar em seu próprio idioma e dialeto acerca das maravilhosas obras de Deus.

A sentença da torre de Babel se inverteu temporariamente, ao introduzir Deus seu grande plano unificador para todos os que creram. O caminho estava preparado para a pregação de Pedro, por meio da qual, três mil pessoas creram no Evangelho. Está claro que a situação fez com que alguns zombassem, mas isso não foi porque os discípulos se portaram irracionalmente ou de forma estranha. Foi simplesmente porque os ouviram em idiomas ou línguas que nunca haviam aprendido, porque lhes falaram com poder espiritual.

Atos 2:41-47 diz: “De sorte que foram batizados … e perseveraram…” (vs. 41-42). Não existe nenhuma prova de que todos os três mil judeus que creram naquela ocasião tenham falado em línguas, embora fizessem outras coisas que indicaram um crescimento espiritual e gozo no Senhor.

O mesmo se pode dizer dos cinco mil que creram em Atos 4:4. Mais adiante, no versículo 31 do mesmo capítulo, quando os discípulos oraram, o Espírito Santo os encheu e falaram a Palavra de Deus sem nenhum temor. Observem que não diz nada de que falaram em línguas.

O mesmo que havia sucedido com os primeiros crentes que se juntaram ao Senhor em Atos 5:14, acontecia com a multiplicação dos discípulos em Atos 6:7 e com os convertidos em Samaria (como ocorreu ao eunuco etíope). Não encontramos em lugar algum que eles falaram em línguas.

Atos 9:1-22 diz: “…para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo” (v.17). A conversão do grande apóstolo Paulo merece nossa atenção especial. A Palavra não diz que nessa ocasião ele falou em línguas, apesar de que Deus enviou Ananias para que Paulo fosse cheio do Espírito Santo. Em 1 Cor. 14:18 nos damos conta de que ele sim falou em línguas, mas não se diz quando em sua vida cristã começou a ter esta experiência.

Em Atos 9:42 não se nos diz que os que creram no Senhor em Jope, pela pregação de Pedro, tenham falado em línguas. Atos 10:46 diz: “… os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus.”

É muito significativo que a segunda vez que se menciona, em Atos, que os crentes falaram em línguas tenha sido neste capítulo. Assim como Deus havia usado a Pedro no dia de Pentecostes para apresentar aos judeus o Salvador ressuscitado e glorioso, agora usa o mesmo instrumento para levar o mesmo Salvador aos gentios. Os judeus que acompanharam a Pedro em sua missão a Cesaréa se convenceram de que os gentios haviam recebido o Espírito Santo quando os ouviram falar em línguas; todos os seus julgamentos judeus caíram por terra.

Assim como em Pentecostes Deus tinha um propósito específico ao dar o dom de línguas, mais adiante Pedro usou esta evidência do Espírito Santo entre os crentes gentios para defender seus atos diante dos crentes judeus em Jerusalém (Atos 11:15-18).

Atos 13:48-52 diz: “… e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna…e os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo” (vs. 48 e 52). Antioquia de Pisidia foi testemunha dos trabalhos de Paulo e Barnabé durante a viagem missionária deles. Em sua maioria os judeus rejeitaram a Palavra, mas vários gentios se voltaram ao Senhor. Em nenhuma parte se diz que tenham falado em línguas, não obstante, estarem cheios do Espírito Santo.

Todo o trabalho tenaz de Paulo durante as três viagens missionárias se conta no resto do livro de Atos. Muitas pessoas se assombram ao saber que nenhum dos que se converteram por meio de seu ministério falaram em línguas; ao menos não se diz nada a respeito.

É necessário considerar, no entanto, Atos 19:1-7. O versículo 6 diz: ”… veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam”. Doze homens de Éfeso, discípulos de João Batista, falaram em línguas e profetizaram depois de serem batizados em nome do Senhor Jesus. Quando Paulo lhes impôs as mãos, receberam o Espírito Santo e foi então quando falaram em línguas.

Antes da visita de Paulo estes homens ignoravam a vinda do Espírito Santo à terra. A manifestação sobrenatural das línguas confirmou sua entrada em uma nova relação com Cristo Jesus, em contraste com a imperfeita relação com Deus que haviam tido como discípulos de João.

Línguas nas epístolas

As epístolas do Novo Testamento guardam silêncio sobre este assunto de línguas, com exceção das instruções que se encontram em 1 Cor. 12, 13 e 14. Examinemos estas passagens brevemente.

1 Cor. 12:1-13, 27-31 diz: “… falam todos diversas línguas?” (vs. 30). Na primeira parte deste capítulo o dom de línguas é apresentado como uma das manifestações do Espírito. Ele deu vários dons aos diferentes membros do Corpo de Cristo, o que serviu para o cuidado e a edificação mútua entre os santos. A pergunta que se apresentou anteriormente indica às claras que nem todos falavam línguas, assim como nem todos ensinavam, nem todos eram apóstolos.

1 Cor. 13:8 diz “… havendo línguas, cessarão”. Muitos estudantes da Bíblia creem que isto aconteceu, isto é, que as línguas bíblicas terminaram. Os que se opõem a este ponto de vista sustêm que o mesmo versículo fala da falta de profecias e de conhecimento, e que ninguém sugere que isto tenha sido um feito.

Se lermos com cuidado o contexto (v. 9 e 10), veremos que há um conhecimento parcial e uma profecia parcial que permanecerão até a vinda de Cristo. Isto não se diz das línguas, chegando à conclusão de que o dom de línguas, o de conhecimento e o de profecia foram substituídos por uma continuidade parcial dos dois últimos.

1 Cor. 14 diz: “E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis” (v. 5). Os coríntios eram zelosos dos dons espirituais. Evidentemente davam mais valor aos que proporcionavam experiências espirituais espetaculares que aqueles que contribuíam para um crescimento sólido. Mesmo que não tenha proibido falar em línguas (até diz a outros que não proíbam), Paulo faz ver que é um dom inferior aos outros para a edificação da Igreja e especialmente inferior ao de profecia.

Devemos notar que o dom de profecia, assim como se expõe ou se explica aqui não é a habilidade para predizer o que acontecerá no futuro. Em vez, é a faculdade de revelar a mente de Deus para o crescimento espiritual dos crentes. “Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação” (v.3).

As línguas não levam a cabo esta função útil na assembleia de Deus, a não ser que haja um intérprete. Paulo assinala com grandes detalhes a limitação das línguas e ordena que não se usem em público nas congregações, a não ser que haja um intérprete (v.28).

Então, o que ensina este capítulo quanto ao uso correto das línguas? Sob que circunstâncias e com que propósito falou Paulo em línguas “mais que vós todos?” (v.18). Primeiro faz ver que ao falar em línguas, se fala a Deus e não aos homens; e que em Espírito se fala mistérios (v.2). Em segundo lugar assinala que aquele que fala em línguas se edifica a si mesmo em vez de a Igreja (v.4). Em terceiro lugar, ele mostra que as línguas são um sinal não para os que creem, senão, para os incrédulos (v.22).

Recordemos o que aconteceu no dia de Pentecostes e vejamos o que diz e o que não diz a passagem. Sim, diz que falaram em outras línguas segundo o Espírito lhes dava que falassem; que uma multidão se congregou e lhes ouviu falando idiomas que se podiam distinguir como tais. Não diz que o propósito principal de falar em línguas fora para benefício das multidões; apesar de que Deus usou este milagre como um sinal para eles e, evidentemente, se beneficiaram com ele.

Os demais exemplos de línguas no livro de Atos confirmam o mesmo: os que falaram em línguas depois de receber o Espírito Santo, falaram a Deus; e este era um sinal para as pessoas que os escutavam. Em nenhuma parte do Novo Testamento lemos que alguém pregasse em línguas, nem se nos diz que o façamos.

Se aceitarmos o uso que Paulo dá a palavra “edificação” através do capítulo 14, não podemos aceitar a ideia de que a edificação própria por meio das línguas se recebe à parte de um entendimento consciente e da comunhão com Deus. Alguém não pode pensar ou falar palavras que não significam absolutamente nada para outro e dizer que isso o edifica. Mesmo quando Paulo fala de orar com o espírito, está falando em relação à Assembleia, para que os que escutam possam dizer “amém” no fim da oração. Não está dito que o que ora não entende o que diz, quando ora em outra língua. Notemos que Paulo escreve: “…o meu espírito ora” (1 Cor. 14:14).

Em 1 Cor. 2:11 vemos que o homem sabe, entende e percebe por meio de seu espírito. Se Paulo orou em espírito, podemos estar seguros que ele sabia o que estava dizendo quando orava; no entanto, se outros não entenderam, seu entendimento não teria dado fruto em relação a eles. Eles não poderiam ter dito amém, nem poderiam haver sido edificados (1 Cor. 14:16-17).

A Palavra de Deus não nos diz diretamente quando e sob que circunstâncias Paulo mesmo falou em línguas. Não seria sábio nos colocar a especular ou adivinhar. Porém, podemos estar seguros de que o uso desta manifestação espiritual estaria de acordo com a direção e ensino do Espírito Santo.

Que diremos, pois?

 

Há uma última pergunta: Devemos esperar ver o dom de línguas de acordo com o modelo bíblico hoje em dia? Finalmente a resposta permanece com Ele (o Espírito Santo), quem dá a cada homem de acordo com a Sua vontade (1 Cor. 12:9-12). Também Ele trabalha em e por meio dos crentes para a glória do Senhor Jesus Cristo (Jo. 16:14). No entanto, a Palavra mostra claramente os propósitos especiais que se alcançam por meio desse dom sobrenatural; e já não volta a mencionar o assunto, uma vez que se cumpriram esses propósitos.

Os judeus necessitavam um sinal (1 Cor. 1:22) e Deus, em sua misericórdia, o deu. Em Atos, nas três ocasiões nas quais as pessoas falaram em línguas pelo Espírito, sempre houve um propósito especial em relação aos judeus. Há pouca evidência da continuidade desses dons depois dos tempos apostólicos, ou mesmo durante os últimos tempos dos mesmos apóstolos. Nas epístolas de Paulo, Tiago, Judas e nas últimas epístolas de João podemos buscar em vão que se mencione o dom de línguas. Não há nenhuma menção do valor da sua continuidade, nenhuma instrução ou exortação com relação a seu uso. Da referência de Paulo aos coríntios já se disse o bastante.

Não se pode deixar de concluir que Deus ordenou o dom de línguas para estabelecer testemunho, especialmente em relação aos judeus. Uma vez que isso se cumpriu, já não teria mais razão de ser.

Grant W. Steidl

Capítulo 2 – O moderno movimento de línguas.

Nestes dias está chamando a atenção de muitos o “movimento de línguas”. Chama-se assim a manifestação de “falar em línguas” nos que dizem ter recebido o “batismo do Espírito”. É muito natural que os crentes piedosos sintam a frieza, a indiferença e o caráter mundano que há em muitas igrejas e que desejem ver um verdadeiro avivamento do poder do Espírito Santo. Ao saber isto, o inimigo está alentando a muitos a sentir um avivamento falso, sob a aparência de mais consagração, piedade e espiritualidade. O objetivo deste artigo é atuar como uma prevenção contra isto.

Muitos se negam a aceitar que Satanás possa estar metido em um movimento que tem tantos indícios de justiça e espiritualidade. Mas não nos esqueçamos de que a Palavra de Deus, falando de alguns que se chamavam servos de Deus nos dias dos apóstolos, diz: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras” (2. Cor. 11:13-15).

Quatro sinais para estar prevenidos

 

Há quatro sinais no movimento de hoje em dia que se apresentam em oposição à ordem da Escritura:

1) A direção exercida por mulheres. 2) A exaltação do Espírito em lugar de Cristo e de Sua Palavra. 3) A má aplicação de certas passagens da Escritura por não entender a verdade das dispensações. 4) O dar mais importância à experiência que à doutrina.

Examinemos ponto por ponto:

A direção exercida por mulheres

Qualquer que seja a posição da mulher na igreja está claro que não inclui dirigi-la. Há duas passagens que determinam isto com clareza para qualquer que deseje obedecer a Palavra: “As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja” (1 Cor. 14:34-35). “A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio” (1 Tm. 2:11-12).

A Palavra de Deus expõe claramente que as mulheres não devem dirigir missões nem reuniões públicas, nem pregar, nem falar em assembleias públicas.

A exaltação do Espírito Santo em lugar de Cristo e de sua Palavra

Um indício da verdadeira espiritualidade é que a pessoa se ocupe no inerente a Cristo e siga Sua Palavra. Leiamos as seguintes passagens na Escritura: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo. 14:26). 

 

“Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim” (Jo. 15:26). “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” (Jo. 16:13-14).

 

Podemos ver que o Espírito nos faz recordar a Palavra de Cristo, dá testemunho dEle. As pessoas que são guiadas pelo Espírito, falam pouco do Espírito e exaltam o Senhor Jesus Cristo. Também temos que recordar que o Espírito nunca nos dirige em algo que está contra a Palavra de Deus.

 

A má aplicação de certas passagens da Escritura

É importante entender que Deus tem tratado com o homem de distintas formas em distintas épocas ou dispensações. O Antigo Testamento tratou com uma nação, Israel, em um país, Palestina. O Senhor Jesus veio como seu Messias para cumprir as profecias do Antigo Testamento, como vemos no Evangelho segundo Mateus. Mas a nação o rejeitou e o crucificou. Portanto, depois da morte, ressurreição e ascensão de Cristo, Deus enviou o Seu Espírito Santo no dia de Pentecostes para começar algo novo: a Igreja. Um grupo de crentes “tirados” de entre os gentios (Atos 15:14) e um grupo pequeno de judeus formariam a Igreja (a palavra grega “ekklesia” quer dizer “chamado para fora”), o Corpo e a esposa de Cristo.

Examinemos agora algumas passagens da Escritura que se aplicam mal por falta de entendimento: “E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão” (Mc. 16:17-18).

Para entender isto temos de ter presente que o Senhor disse essas palavras imediatamente antes de ir ao céu. Ainda não se havia escrito nem uma palavra do Novo Testamento e ninguém tinha nada para guiar a alguém quanto ao que era novo, isto é, a Igreja que se estava estabelecendo na terra, e tampouco se isso era de Deus ou não. Por isto, Jesus deu estes sinais especiais para provar aos inconversos que o Evangelho era de origem divina. Isto estava em contraste direto com o judaísmo – agora rejeitado – e o paganismo, ao qual Deus nunca reconheceu.

Quando lemos o livro de Atos encontramos o cumprimento dessas coisas. Mas não diz que continuariam. Quando cumpriram seu propósito, tais coisas, estabelecidas por Deus, deixaram de existir. Em I Coríntios 12:28 o apóstolo dá um lugar secundário aos dons de sinais e em Efésios 4:11, que foi escrito alguns anos mais tarde, são omitidos por completo. Parece que Paulo havia abandonado completamente o uso deles até o fim de seu ministério. Vejamos por exemplo, 2 Tm. 4:20 e I Cor. 13:8.

Outro versículo que se cita mal é Jo. 14:12: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”. Quais são essas “obras maiores”? Milagres? Claro que não! Nenhum apóstolo fez maiores milagres que o Senhor mesmo. Falar em línguas? Com dificuldade poderíamos chamar isso de uma “obra maior”. Cremos que o Senhor se referia aos triunfos espirituais do Evangelho. Durante Sua vida o Senhor viu muito pouco fruto do Seu trabalho. A grande obra de Cristo estava em Sua morte. Esta colocou a base de tudo o que Seus servos fizeram depois. Note-se que em Jo. 14:12 diz: “porque eu vou para meu Pai”. Ele ia ao Pai e o Pai enviaria o Espírito Santo para testificar dEle e declará-Lo Salvador das almas manchadas pelo pecado em todas as nações.

Pedro, sob o poder do Espírito, fez uma obra maior no dia de Pentecostes, quando foi o instrumento para a conversão de três mil pessoas. E cada crente que traz uma pessoa a Cristo faz uma obra maior do que se só curasse ou falasse em línguas. Porque uma pessoa se salva ou se perde eternamente.

Vejamos também Jo. 14:16-17: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós”. Muitos entendem esta passagem como se o Senhor estivesse falando diretamente com eles, dizendo-lhes que, ainda que o Espírito esteja com eles, ainda não está neles. Tenhamos presente que o Senhor disse estas palavras antes de sua crucificação e, por conseguinte, antes da vinda do Espírito Santo como pessoa, no dia de Pentecostes, para morar aqui nos crentes. Jesus Cristo rogaria ao Pai que lhes enviasse o Espírito, e o Pai o enviou precisamente naquele dia de Pentecostes. Nos dias do Antigo Testamento, o Espírito Santo estava com os crentes, mas não estava com eles para sempre, nem neles. Agora, posto que veio no dia de Pentecostes para morar aqui, o recebemos quando cremos no Evangelho (Ef. 1:13-14). Ele mora em nós e permanece conosco para sempre.

“… quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc. 11:13). Esta é uma passagem similar à anterior. Quando o Senhor disse essas palavras, o Pai ainda não havia dado o Espírito Santo e não podia dá-lo até que o Senhor ascendesse ao céu (Jo. 7:39). Mas agora, nós os crentes, temos o Espírito com e em nós. Portanto, se agora um crente pede o Espírito Santo, depois de haver recebido todo o ensino do livro de Atos e das epístolas, não está fazendo outra coisa que demonstrar falta de sabedoria espiritual e um grande desconhecimento das coisas divinas.

Quanto ao livro de Atos, as línguas que ali se mencionam foram verdadeiros idiomas. Deus deu aos apóstolos este dom de falar em outras línguas sem aprendê-las, para que todos ali presentes no dia de Pentecostes pudessem ouvir o Evangelho. Vemos manifestações similares no livro de Atos, capítulo 10, quando se admitiram os primeiros gentios; e no capítulo 19, quando se receberam os que haviam conhecido somente o ensino de João Batista, como prova de que haviam participado do mesmo batismo do Espírito. Mas não há uma só passagem nas epístolas que diga que estas manifestações continuariam, porque estavam relacionadas com a iniciação do cristianismo.

A ideia de que só os que falam em línguas são selados, é absolutamente oposta ao ensino da Bíblia, e não há nenhum versículo que a apoie. Até em Corinto, enquanto os dons de sinais estavam ainda em vigência, o falar em línguas estava proibido na assembleia se não houvesse intérprete (1 Cor. 14:2, 4, 28) e mesmo assim somente alguns falaram em línguas (1 Cor. 12:28).

Para terminar, não esqueçamos que a Escritura nos previne contra sinais e milagres mentirosos, em conexão com a vinda do Anticristo (2 Ts. 2:9).

Capítulo 3 – “Não creiais a todo espírito”

O que se conhece nos tempos modernos como o Movimento Pentecostal, teve sua origem no estado de Kansas, USA, entre finais do século retrasado e princípios do passado. Apareceu dentro de uma divisão pequena, cujos membros se autodenominavam “gente de santidade”. Estes afirmaram ter tido um “batismo pentecostal” evidenciado pelo dom de línguas. Sustentaram também que este batismo foi a chuva tardia a qual Joel 2:23 e Tiago 5:7 se referiram. Este movimento se estendeu até Los Angeles, Califórnia, USA e um grupo que se reunia na Rua Azusa dessa cidade fez os novos ensinamentos. A partir dali as doutrinas se estenderam como um rastro de pólvora. O resultado foi a formação das denominações pentecostais.

Vários grupos se desenvolveram de uma forma muito grande e desses surgiram dezenas de seguidores. O movimento se estendeu ao redor do mundo.

Esses grupos se diferenciam em alguns pontos menores, mas todos creem que os dons de sinais1 mas conhecidos como dons milagrosos, dados à Igreja primitiva, foram reinstaurados, especialmente o dom de línguas e de curas.

A maioria deles crê que alguém pode salvar-se e depois perder-se. Muitos deles sustêm doutrinas falsas sobre a pessoa de Cristo, crendo que a Ele foi possível haver pecado.

O assim chamado ensino de “santidade” é sustentado por muitos dos pentecostais. Segundo este ensino é possível alcançar um estado de perfeição livre de pecado nesta vida. Muitas pessoas verdadeiramente convertidas terminam por associar-se com estes movimentos e apesar da pouca luz e entendimento que têm, são fiéis ao Senhor. Algumas delas mostram uma devoção que muitos de nós – e o confessamos com vergonha – não temos. Mas também é verdade que muitos dos que pretendem falar em línguas e fazer milagres não são convertidos.

Referindo-se ao assim chamado “dom de línguas”, H.A Ironside escreve: “As línguas são claramente da mesma natureza que aquelas expressões de êxtase que caracterizaram os primeiros seguidores de Irving e dos mórmons de hoje em dia. Indicam mais possessão satânica que poder divino, embora muito desse fenômeno seja simplesmente uma forma agravada de histeria”.

Em tempos mais recentes outro movimento se desenvolveu e o conhecemos como “o movimento de renovação carismática” (a palavra carisma provém do grego e quer dizer dom). Este movimento professa ter todos os dons. Quer dizer, afirmam que todos os dons dados à Igreja primitiva existem hoje em dia. A maior diferença entre este

1 Os dons dados à Igreja são de duas classes: os que se deram como sinais somente nos primeiros dias da Igreja e os que se deram para que o povo do Senhor O sirva até a Sua vinda

movimento e o pentecostal é bastante significativa. Os pentecostais formaram suas próprias denominações e trabalham dentro de seus próprios grupos. Os carismáticos, em vez disso, procuram trabalhar fora das denominações. Trabalham em casas e em outros lugares com o fim de alcançar indivíduos. Aos que se interessam por suas ideias lhes aconselham que fiquem em suas respectivas igrejas originais e influenciem outros de dentro. Desta forma se infiltraram em todos os grupos maiores da cristandade. Se o ministro de uma igreja faz suas essas ideias, toda a igreja pode fazer-se carismática e por sua vez, permanecer associado à denominação. Ou pode haver uma divisão e os que não aceitam o novo ensinamento saem e vão para outro lugar. Até mesmo sacerdotes e laicos católicos se “converteram” a essas ideias e como resultado, afirmam ter uma maior devoção à sua igreja.

Os “carismáticos” de todas as denominações, protestantes e católicos romanos, organizam conferências e seu lema é: “Esqueçamo-nos de nossas diferenças doutrinais e gozemos juntos da experiência maravilhosa do Espírito”. Hoje em dia muitos cristãos têm a convicção de que o movimento em questão é o “catalisador” usado por Satanás para unir falsamente as pessoas das denominações. Esta prática poderia ter seu clímax na grande Babilônia (veja-se Ap. 17 e 18).

Há que se levar em conta os seguintes pontos:

Os dons milagrosos dados como sinais

 

Esses foram dados no princípio desta dispensação2 para provar que o cristianismo era de Deus. Os apóstolos falaram nos idiomas dos ouvintes no dia de Pentecostes. “Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?” (Atos 2:8). “De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis…“ (1 Cor. 14:22). “E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos” (Atos 5:12). Veja-se também Atos 2:4, 4:30, 6:8, 15:12, 19:11-12; 28:8-9.

Nem todos possuíram dons milagrosos

Mesmo quando esses dons existiram, nem todos os cristãos tiveram o dom de línguas nem o dom de cura (1 Cor. 12:28-31).

2 Refere-se ao período no qual vivemos, quer dizer, o que transcorre entre a crucificação do Senhor até a Sua vinda para ressuscitar os crentes que morreram e para arrebatá-los junto com os crentes que estiverem vivos nesse momento, para levar a todos ao céu.

Quando cessaram esses dons?

Esses dons cessaram quando o cristianismo chegou a ser estabelecido. Não são mencionados nem uma só vez naquelas epístolas que Paulo escreveu da prisão. Tiveram a ver com o princípio da cristandade. O apóstolo, em sua carta aos Hebreus, se refere a uma salvação grande, a qual, “… começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?” (Hb. 2:3-4).

Esses dons milagrosos haviam cessado em grande parte mesmo nos tempos dos apóstolos. O fiel Epafrodito “…esteve doente, e quase à morte”, e não foi curado milagrosamente (Fl. 2:26-30). Timóteo não gozava de uma boa saúde e se lhe exortou que usasse vinho como remédio. Não foi curado milagrosamente (1 Tm. 5:23). Paulo deixou Trófimo doente em Mileto (2 Tm. 4:20). Paulo mesmo não foi curado do seu problema de saúde mesmo quando orou três vezes para que lhe fosse tirada a enfermidade. Foi um vaso mais útil no serviço do Senhor com a doença do que teria sido sem ela (2 Cor. 12:8-10). Paulo falou em línguas (idiomas) mais que todos eles, mas diz: “…antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida” (1 Cor. 14:19).

Alguns se esforçaram para provar, através de 1 Cor. 14:2 e 18, que Paulo orou em línguas em particular. Mas as passagens não provam tal coisa. Todo o capítulo se refere ao que fazer-se em público (na assembleia). Mostra que se alguém fala em línguas, ninguém tira proveito disso. Por outro lado, o que profetiza (cap. 14:3), ministra edificação, exortação ou consolação a outros.

A declaração de Paulo no versículo 18 só quer dizer que lhes falaria unicamente no idioma que eles entendiam, mesmo que pudesse falar-lhes em vários idiomas. A razão que dá é “para instruir também os outros” (v. 19). O esforço para provar que Paulo orou em línguas de forma particular tende a falsear o inteiro propósito deste capítulo.

Puerilidade ou maturidade?

 

1 Cor. 13:8-11 diz assim: “O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas (katargeo); havendo línguas, cessarão (pauo); havendo ciência, desaparecerá (katargeo); Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado (katargeo). Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei (katargeo) com as coisas de menino”.

É importante notar-se que uma palavra diferente se usa no grego original quando se refere a línguas. “Cessarão (pauo) as línguas”. A palavra “pauo” significa “terminar e não continuar”. Parece que haveria um cessar definitivo de línguas enquanto que profecia e ciência, essas durariam por um tempo e terminariam quando a plena revelação da verdade de Deus houvesse vindo. Não terminariam até que viesse “o perfeito”. Quanto mais nos ocupamos com o perfeito e maduro, quer dizer, com a plena revelação de Deus em Cristo, tanto mais teremos terminado com a que resulta pueril. Temos agora nas Escrituras essa revelação plena e completa, a qual não tiveram os santos naquele tempo.

As assim chamadas “línguas” não necessariamente são idiomas

As línguas de hoje em dia não são idiomas, senão uma algazarra ininteligível, segundo dizem os experts em linguística que estudaram o fenômeno. Houve casos nos quais pessoas sob a influência de espíritos maus falaram em idiomas reais e a linguagem era suja ou blasfema, ou as duas coisas. Os missionários pentecostais que vão a países estrangeiros se veem obrigados a aprender o idioma do país (novo para eles), o mesmo que qualquer outra pessoa que não o conheça.

Há cura através da obra expiatória e redentora de Cristo?

Em relação a assim chamada “cura”, há uma doutrina que se está ensinando hoje em dia que diz que há cura na obra expiatória e redentora de Cristo. Quer dizer, que há cura como consequência da morte do Senhor, que ele morreu por nossas enfermidades e doenças. Esta ideia se baseia em uma aplicação falsa de Is. 53:4: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si…”, o que se cita em Mt. 8:17: “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças”. Isto é o que o Senhor fez em seu ministério público durante Sua vida. Veja-se também Lc. 6:17-18. Ele estava provando que era o Messias prometido, segundo Sl. 103:3; Is. 35:5-6; Atos 2:22.

A obra expiatória e redentora é a qual se refere Is. 53:5-6: “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados… mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”. Pedro se refere a isto em 1 Pe. 2:24-25: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro … e pelas suas feridas fostes sarados”. Isto se efetuou “sobre o madeiro” por Seus sofrimentos e morte ali padecidos. Esta é a cura espiritual que recebemos por sua morte, mas a cura física mencionada em Mt. 8:17 foi o que Ele fez durante seu ministério público, entre Seu batismo e Sua crucificação.

O autor e sua esposa conheceram uma irmã querida que, antes de sua conversão, havia sido médium espírita. Nos disse que havia imposto as mãos em pessoas e as curou, sentindo em si mesma o poder que passava por seus dedos para curar. Agora ela reconhece que o poder era satânico. Nos disse também que depois de sua conversão havia assistido a uma reunião pentecostal; havia sido animada a assistir para aprender mais acerca da Bíblia. Mas uma reunião somente foi suficiente para convencê-la de que voltaria atrás, à vida da qual o Senhor a havia libertado.

Não negamos que, quando as coisas são segundo Sua vontade, o Senhor sara em resposta à oração. Às vezes responde através do uso de meios; outras vezes o faz de modo milagroso. Mas isto difere em grande maneira da pretensão de ter o dom de cura ou de afirmar que a cura do corpo se consegue mediante a obra expiatória e redentora do Senhor.

Um aviso bíblico

 

Há um aumento na atividade dos espíritos maus hoje em dia. A Palavra nos dá uma voz de alerta: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios” (1 Tm. 4:1).

“Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Porque, se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofreríeis” (2 Cor. 11:3-4).

“Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo…” (1 Jo. 4:1-3). Esta escritura mostra que a direção exercida por espíritos falsos pode levar eventualmente a falsas crenças no tocante à pessoa de Cristo.

Não cremos que todo esse fenômeno entre os carismáticos seja obra de espíritos maus. É possível deixar-se arrastar pelo próprio espírito. Veja-se Ez. 13:3: “Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e que nada viram!”.

Irmãs, estado de atenção!

Como as mulheres são mais emotivas que os homens, caem vítimas desse ensino com maior facilidade. Por isso é especialmente necessário que as irmãs estejam atentas. Há, portanto, uma razão definida para a proibição contida em 1 Cor. 14:34: “As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei”. E em 1 Tm. 2:12 lemos: “Não permito, porém, que a mulher ensine…”. As mulheres têm sido proeminentes em todos os movimentos pentecostais e carismáticos. A espiritualidade aparente de muitos desses movimentos atrai as que desejam uma experiência espiritual mais profunda, e por isso há um perigo ainda maior.

Alguém se expressou bem sobre este assunto: “O Espírito Santo está a cargo de todas as operações e exercícios divinos. Devemos permanecer às suas ordens e sob seu controle. Neste movimento moderno pentecostal e carismático, um ’eu’ contido assume o comando e substitui por uma excitação barata os valores espirituais verdadeiros. Um amor às emoções psíquicas substitui o estudo diligente e diário da Palavra de Deus. Uma atração pelas coisas que se veem toma o lugar de um andar por fé onde nem sempre há impressões manifestas. Tais práticas impedem um crescimento espiritual até à maturidade, além de que o propósito mais alto do Senhor, que é produzir características espirituais e celestiais, é bloqueado. Por isso, todos os crentes devem se guardar de técnicas hipnóticas, repetições rápidas de sons, música estranha e fora de ritmo, além de outros sons que excitam o sistema nervoso. Devemos guardar-nos de todas estas coisas que dão vida a uma falsa vivacidade.

Acreditamos que as mulheres piedosas saberão qual é seu lugar nas assembleias do povo de Deus. E aquelas com discernimento espiritual entenderão os perigos já indicados”.

Capítulo 4 – Últimas palavras de advertência.

Através do que temos considerado vemos que existe um esforço muito sutil do inimigo para desviar os santos. Por isso, não podemos gozar de plena comunhão com os que têm e ensinam aquelas opiniões e doutrinas de erro. Uma só pessoa que em uma congregação tenha tais ideias é suficiente para causar confusão e logo, divisão. Por isso é necessário evitar esses problemas instruindo e avisando aos santos, e estar em guarda para perceber a presença do fermento (Gl. 5:9).

A experiência deve basear-se na doutrina.

A experiência que não se baseia na doutrina não é sã, e falhará ao final. Muitas almas piedosas se interessam por esse novo movimento por causa de sua aparente espiritualidade, e são arrastadas por sua experiência.

Apresentamos as seguintes pautas como doutrina sã na qual pode basear-se uma experiência espiritual:

a) O batismo do Espírito não é individual, senão, coletivo. O livro de Atos é dado como um ato cumprido, havendo entrado num mesmo batismo diferentes grupos representativos (Atos 2:33, 10:44, 19:6).

b) Cada pessoa que confia em Cristo como seu Salvador recebe o Espírito Santo como o selo da fé. “… e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa”. Isso faz da pessoa um membro do Corpo de Cristo, e é assim que participa daquele batismo coletivo (1 Cor. 12:13; Ef. 1:13).

c) Por sua vez, além de colocar-nos no Corpo de Cristo, o Espírito mora em nós individualmente, e assim é o selo, o penhor e a unção (Ef. 1:13e 14; 2 Cor. 1:21 e 22; 1 Jo. 2:20 e 27; Rm. 8:9).

d) Por isso somos exortados a não contristar o Espírito (Ef. 4:30), nem extingui-lo (1 Ts. 5:19) senão a ser cheios dEle (Ef. 5:18).

Notemos umas últimas exortações de Efésios 5:19-21 “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus.”

Estas coisas são “o fruto do Espírito” (Gl. 5:22-23). São as indicações de uma verdadeira experiência espiritual. Quando o Espírito centra nossa atenção em Cristo, por Sua Palavra, esses frutos se produzem em nós e Deus pode nos usar para bênçãos de Seu povo e para salvação daqueles que não O conhecem.

W. J. Missen

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Author: Acervo Digital Cristão

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