O HOMEM E A MULHER

Deus, na Sua sabedoria, designou um lugar apropriado, porém distinto, tanto ao homem como à mulher. Mas isso de forma alguma impede que a mulher dê um testemunho eficaz. Encontramos na Bíblia mulheres testemunhando eficazmente de Cristo (a avó e a mãe de Timóteo, por exemplo – veja 2 Tm 1:5; 3:15). Há, portanto, uma esfera de ação que é apropriada para as mulheres e foi Deus Quem colocou os limites, os quais devem ser respeitados. Um limite está em 1 Coríntios 14:34, onde encontramos a ordem que deve ser respeitada na igreja ou assembleia. Seria por demais difícil obedecermos simplesmente aquilo que o apóstolo chama de “mandamento do Senhor”? (1 Co 14:37; 1 Sm 15:22-23). E se quisermos ser achados numa posição de obediência ainda mais excelente, teremos que nos submeter a 1 Timóteo 2:12 e concordar que a mulher não deve ensinar. Se lemos tais coisas com tanta clareza nas Escrituras e deliberadamente as desprezamos, somos culpados de rebelião contra Deus e Sua Palavra, não importa quais sejam os méritos que tenhamos em outros aspectos da vida cristã (Lc 12:47).

 

Em nossos dias a cristandade tem se desviado muito dos padrões estabelecidos por Deus, desprezando o lugar que Deus estabeleceu para o homem e para a mulher. Isto se deve à aceitação, pelos cristãos, das ideias, costumes e princípios deste mundo. Temos que ter sempre em mente que, à semelhança dos exemplos que encontramos no Antigo Testamento no final de cada dispensação, a época da Igreja na Terra está igualmente chegando ao fim como um testemunho que, confiado aos cuidados dos homens, também termina em ruína. Como se repetissem um período cíclico, todas as dispensações começaram em grande poder e virtude, terminando em ruína e abandono da verdade. Assim ocorre com a igreja nestes últimos dias de tristes divisões e abandono da sã doutrina ensinada pelos apóstolos.

 

O papel do homem como cabeça também foi, de certa forma, afetado pelo pecado. Isto é verdade no que diz respeito à qualidade de sua atuação na posição que lhe foi destinada, muito embora isto não justifique, de modo algum, uma inversão dos papéis. Quando os homens estavam medrosos diante do inimigo, Deus permitiu que Débora fosse um instrumento de libertação (Jz 4 e 5). Mas no registro dos heróis da fé apresentado em Hebreus, é Baraque quem tem seu nome registrado (Hb 11:32). Deus demonstra que a responsabilidade pela libertação fora dada ao homem, muito embora ele tenha se escondido atrás de uma mulher.

 

O Éden é o ponto de partida de toda a ruína que vemos hoje. Embora a mulher tenha sido enganada pela serpente, que é o diabo, a responsabilidade maior cabe ao homem por ser a cabeça. Pode-se perguntar: Onde estava o homem enquanto a mulher estava sendo enganada pela serpente? Ele era para estar junto de Eva, mas tudo indica que naquele momento ele estava longe dela, sozinho (e Deus havia criado a mulher para que o homem não ficasse só – “Não é bom que o homem esteja só” – Gn 2:18). De qualquer forma, o homem não foi enganado, mas somente a mulher o foi (1 Tm 2:14). Ele estava plenamente consciente de estar desobedecendo a Deus ao comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, mas tenta culpar a Deus pelo ocorrido (“A mulher que (Tu) me deste…” Gn 3:312).

 

O que vemos hoje na cristandade, no que diz respeito à mulher fora da posição que Deus lhe deu, é uma consequência do homem haver abandonado sua posição. Assim como Adão pode ter ido dar uma volta pelo jardim do Éden, cuidando de seus deveres de administrador mas deixando a mulher à mercê do engodo da serpente, hoje o homem abandona cada vez mais sua posição de cabeça, a pretexto de cuidar de seus interesses ou de trazer o pão para seu lar. O resultado disso é que a mulher ocupa cada vez mais uma posição que era devida ao homem (por negligência deste). Assim, não apenas na sociedade e no lar, mas principalmente na igreja, tudo acaba ficando fora do lugar que Deus determinou. A responsabilidade cabe ao homem; ele é a cabeça (1 Co 11:3). Mas a negligência do homem para com a posição que Deus lhe deu não justifica que a mulher assuma uma posição que não lhe cabe. Nosso Deus é um Deus de ordem. Um soldado jamais poderá ocupar a posição de seu capitão por julgá-lo incapaz ou negligente. Talvez o soldado seja muito mais valente e capaz do que seu capitão, porém deve respeitar a hierarquia. Não se trata de quem é melhor ou pior; trata-se de uma ordem estabelecida. Assim é no relacionamento homem-mulher. “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo” (1 Co 11:3). A mulher não é menos do que o homem por ele ser a cabeça. Trata-se de uma questão de ordem estabelecida por Deus.

 

Quando se trata da esfera de ação da mulher cristã, pensamos muito naquilo que, segundo as Escrituras, uma mulher não pode fazer; mas o que dizer daquilo que o homem não é capaz? Sim, pois há limites para o homem também. Um homem não tem tanta aptidão para mostrar o amor de Cristo a um enfermo como o tem uma irmã dedicada. Tenho três filhos e reconheço neles um crescimento espiritual, pelo ministério de minha esposa, numa maneira que eu seria incapaz de cumprir. É extremamente eficaz o trabalho de alguém quando é feito dentro da esfera de ação que Deus determinou. Isto é ouro, prata e pedras preciosas. O trabalho feito fora das bases estabelecidas por Deus é madeira, feno e palha e não subsistirá (1 Co 3:12).

 

Como homens, somos limitados em certos aspectos, e temos que reconhecer que há uma esfera de trabalho que é mais apropriada para as irmãs. Por outro lado, as irmãs são mais frágeis (1 Pd 3:7) e mais suscetíveis a sucumbir ante os ataques do inimigo (1 Tm 2:14). Eva foi enganada, porém Adão não foi. Ele sabia exatamente o erro que estava cometendo, mas seguiu sua mulher. Assim, por serem mais suscetíveis ao engano, o Senhor graciosamente poupa as irmãs de problemas – e à igreja de erros doutrinários – ordenando que elas não ensinem. Se um filho meu tem problemas de saúde, eu, por amor, irei proibi-lo de participar de brincadeiras violentas. Iríamos nós contrariar o amor e cuidado do Senhor, que coloca os limites para nos poupar de muitos problemas? Sempre que dizemos que alguma coisa está nas Escrituras, “mas…” que temos uma maneira melhor para agir, estamos nos considerando mais sábios que Deus.

 

Há muitos que alegam que o trabalho de mulheres, pregando e ensinando publicamente, tem dado muitos frutos. “Nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor” (1 Co 4:5). Ao contrário do pensamento humano, nas coisas de Deus os fins não justificam os meios. Ao invés de buscarmos grandes resultados, agindo fora do lugar determinado por Deus, é melhor ficarmos dentro dos limites que Ele estabeleceu. Saul tinha bons motivos para agir de forma diferente àquela determinada por Deus. Mas perdeu tudo. “Obraste nesciamente, e não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou… agora não subsistirá o teu reino”; “Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1 Sm 12:13-14; 15:22).

 

M. Persona

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Author: Acervo Digital Cristão

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