A HIERARQUIA CRIACIONAL DE DEUS

(1 Coríntios 11:3-16)

Há muito se fala a respeito da doutrina bíblica que envolve a ordem direta de Deus para que a mulher esteja sempre com sua cabeça velada (coberta), quando estiver orando ou profetizando, assim como, do mesmo modo, o homem esteja com a cabeça descoberta nas mesmas oportunidades. Este mandamento encontramos em 1 Cor 11:3-16, onde lemos:

 

1 Coríntios 11:3-16 Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo.

 

Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.

 

Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.

 

Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.

 

O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem.

 

Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem.

 

Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem.

 

Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.

 

Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor.

 

Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus.

 

Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta?

 

Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter cabelo crescido?

 

Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu.

 

Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus.

Precisamos ter em mente que este específico mandamento, parte integrante da sã doutrina, não é dado pelo Apóstolo Paulo em nenhum momento, vinculando a sua prática a algum tipo de mérito humano (seja do homem – por não se cobrir ou da mulher – por se cobrir). Assim, é impossível entender que a obediência a ele nos tornaria cristãos melhores do que aqueles que não a praticam. Esta máxima só pode ser confirmada biblicamente no que tange à FÉ no Filho de Deus. Esta sim, faz de uma mera criatura um membro da família de Deus, dando poder ao indivíduo que crê, para, a partir dali, deixar sua condição de perdido, para alçar a de salvo em Cristo Jesus e, consequentemente, ser chamado FILHO de Deus (Jo 1:12 e Gl. 3:26) para sempre, vez que é o próprio Espírito Santo quem passa a testificar isso (Rm 8:16). Após a pessoa transcender a condição de perdido através da Fé, passa à condição de salvo em Cristo, tornando-se mais um integrante do “um só Corpo” e isso, em pé de igualdade para com todos os demais cristãos que assim também entregaram suas vidas ao Senhor Jesus Cristo, o dono e CABEÇA do Corpo, que é a Sua igreja (Ef 4:4, 1 Cor 10:17 e Rm 12:5).

 

Em razão desta observação, ressalto aos irmãos que os mandamentos da sã doutrina apostólica, em sua maioria, são para a vida e prática de adoração CRISTÃ, enquanto aqui nesta vida, já que nenhum deles faz menção ou tem alguma relação de poder para salvar o homem mediante sua prática, ou condená-lo pela ausência dela. Pelo contrário, a boa e pura prática doutrinária encontrada na Palavra de Deus, está relacionada com a devida preparação do praticante na tarefa de dar testemunho de Cristo nesta terra para que, através da purificação contida em Sua sã doutrina, possa ser considerado idôneo e usado para “toda a boa obra” a serviço de Seu Senhor (2 Tm 2:21).

 

Este é o patente caso deste mandamento (1 Cor 11:3-16), onde o apóstolo é mais do que claro e objetivo ao explicar o porquê da mulher ter a necessidade de se cobrir quando orar ou profetizar, bem como o homem de se descobrir, na mesma ocasião. Note que ele não diz que é porque “um anjo lhe apareceu com visões”, nem para que a pessoa “alcance a salvação da sua alma”, ou para que “Deus a ame mais ou menos…”, ou ainda, para ela “passar a ser espiritualmente melhor ou pior que os demais”. Não, não! O mandamento é dado POR CAUSA DOS ANJOS, somente (v. 10).

 

Como nós (IGREJA) estamos instados pelo Apóstolo a “não ir além do que está escrito”, a fim de “não nos ensoberbecemos a favor de um e contra outros” (1 Cor 4:6), podemos com toda a segurança descartar as histórias extrabíblicas que tem acompanhado esta doutrina ao longo do tempo, com a finalidade única de embasar os argumentos daqueles que não a querem praticar, seja por qual motivo for. Elas são das mais diversas, indo desde a questão cultural (sugerindo que a ordem fora dada somente para que as mulheres cristãs não fossem confundidas com as prostitutas gregas, que viviam na cidade de Corinto à época), até às especulações mais esdrúxulas possíveis (como aquela que sugere que o Apóstolo Paulo, por não ser casado, tinha certa aversão à mulheres e, portanto, teria lavrado tal doutrina em detrimento delas propositalmente, como algo de cunho pessoal – pasme-se). Para rechaçar estas fábulas, basta o cristão indagar: ESTES MOTIVOS ESTÃO ESCRITOS NA PALAVRA DE DEUS? NÃO? Então, amados irmãos, sem comentários, já que acabamos de ler a Palavra de Deus nos orientando a “não ir além do que está escrito”, em uma concisa declaração de que é somente Dela que devemos extrair contextos para interpretar seu conteúdo, por motivos óbvios de sua completude, infalibilidade e capacidade de ensinar-nos em toda a justiça de Deus – não dos homens (2 Tm 3:16).

 

Voltando à tratativa somente do que está escrito, isto é, da doutrina que ordena a cobertura da cabeça da mulher e a descobertura da do homem ao orar ou profetizar, encontramos registrado na Palavra com todas as letras, que isto precisa ser cumprido POR CAUSA DOS ANJOS! Agora sim, temos elementos bíblicos para trabalhar os porquês, bastando estudar os ANJOS, e saberemos certamente os motivos, visto que o apóstolo acrescenta outros elementos de base explicativa no decorrer do capítulo. Observe que, antes de dizer para a mulher e para o homem que oram ou profetizam, sobre honrar ou desonrar suas cabeças (v. 5) ele inicia o capítulo fazendo referência à uma ordem de criação, deixando bem claro que há uma hierarquia a ser respeitada ali, ao passo que “Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão é a cabeça da mulher; e Deus, a cabeça de Cristo” (v. 3).

 

Importante repararmos que esta hierarquia é meramente criacional, com vistas que, após emanar a ordem direta para ambos – mulher e homem – e a forma como agirão para respeitar esta hierarquia criacional/angelial (Vs. 5 a 7), o Apóstolo volta a insistir no assunto nos versículos (8 e 9), já fornecendo os motivos pelos quais a doutrina está sendo posta, como se alguém estivesse perguntando a ele: “mas porque há uma ordem de criação que devemos respeitar Paulo?” A resposta, confira-se:

 

Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem.

 

Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem.

 

Em um ato contínuo, se a dúvida persistisse e alguém voltasse a inquiri-lo: “Mas, Paulo, o que acontece se eu respeitar esta hierarquia, para quem aproveitará esta ordem? Nos tornamos uns melhores que os outros quando a praticamos? A hierarquia é de superioridade do homem sobre a mulher?” Daí viriam as seguintes respostas, já aos versículos (10, 11 e 12):

 

Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.

 

Todavia, nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor.

 

Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus.

 

Desta forma, após analisar os versículos, você leitor poderia até perguntar: “mas o versículo 8 não contradiz o versículo 12? Pois, enquanto naquele Paulo diz que o varão NÃO provém da mulher, neste ele já diz que PROVÉM! Como explicar isso?” Pois bem! Torna-se bem simples, se atentarmos para o fato de que esta hierarquia não é de superioridade ou inferioridade, visto que para Deus não há acepção de pessoas, mas é de ordem meramente CRIACIONAL, ou seja, é um princípio de ordem que Deus inseriu nos próprios anjos, e que eles possuem por excelência, ou seja, desde a sua criação. Se não é o que se define bem, quanto ao fato de que o apóstolo não só tratou da hierarquia de ordem criacional no versículo (3), como lavrou a ordem doutrinária imediatamente nos versículos (5, 6 e 7), para, logo após, voltar a tratar da ordem de criação nos versículos (8 e 9), explicando, já no versículo (10), o porquê da ordem está sendo dada. Ao concluir, ele volta a falar da ordem criacional, aos versículos (11 e 12), com as ressalvas de que ninguém é melhor do que ninguém, mas “tudo vem de Deus”, e isso, poderia ser percebido facilmente se a igreja analisasse a doutrina pelo prisma das coisas naturais (como por exemplo, a tendência natural que a mulher tem de ter o cabelo crescido e do homem de tê-lo curto), isso já nos versículos (13, 14 e 15), culminando na abordagem da possibilidade de alguém não aceitar a doutrina, onde ele afirma que se alguém quiser ignorá-la, teria tal direito, mas as igrejas de Deus não procediam daquela forma (versículo 16).

 

Se o cristão apenas esboçar qualquer linha de pensamento que posicione o homem em local superior ao da mulher no seio da Igreja de Cristo, estará à violar diversos outros dispositivos bíblicos, que encerram o assunto, quando apontam que, em Cristo, já não há mais posição social, etnias, gênero sexual, etc. Mas todos se tornam UM (um só Corpo) em Cristo! (Rm 2:11, At 10:34, Cl 3:25, Gl 3:28, 1 Pd 1:17 e Tg 2:9-11).

 

Este princípio (DA HIERARQUIA CRIACIONAL) pode ser observado se estudarmos os próprios anjos – sem fábulas, apenas analisando o que está escrito na Palavra de Deus concernente a eles – de onde extraímos claramente, que não ultrapassam a esfera do limite atribuído a eles, seja da competência para tomar decisões, seja do poder outorgado, sempre realizando os atos e entregando mensagens sob as ordens do próprio Criador do universo, que jamais podem ser revogadas. Sendo assim, o que temos a estudar na Palavra de Deus sobre os anjos? Vamos juntos entender o motivo real da doutrina da cobertura deixada pelo apóstolo Paulo à Igreja de Cristo?

 

Eles (anjos) foram criados pelo próprio Deus e estão assentados diante Dele para o serviço de Sua adoração e administração do Seu reino (Hb 1:6-7 e Sl 103:20, 148:2), sendo Ele mesmo (Deus) quem define suas formas e poderes de atribuição, além da capacidade e esfera de atuação. Eles assistem – de assistência – perante o Criador (Lc 1:19 e Mt 26:53), estão subordinados a Cristo (Hb 1:4) e comunicam notícias diretamente aos homens (Lc 1:26), tanto assumindo a forma humana (Gn 19, 32:1 e Os 12:4), como em seu estado natural, à desvendar sonhos ou visões aos mortais deste mundo, que julgarem necessários os olhos de Deus (Dn 8:16) ou ainda, para batalhar nos lugares celestiais (Dn 12:1, Jd 1:9 e Ap 12:7). Não temos o conhecimento de toda a essência dos anjos, mas, além de suas atribuições e tarefas explícitas, sabemos também pela Palavra que possuem parte da essência ETERNA de Deus, ou seja, não podem morrer (Lc 20:36).

 

Os anjos estão em toda parte no céu, na terra e transitando entre eles (Gn 28:12 e Jo 1:51), sendo designados também para guardar a vida dos seres humanos de percalços que não são permitidos por Deus que ocorram, contudo, não podem ser contados por nós, sendo que, as únicas referências à expressão numérica deles encontradas na Palavra de Deus, traz a quantidade genérica de “milhões de milhões” e “milhares de milhares” (Dn 7:10 e Ap 5:11).

 

Os anjos podem ser designados para a missão de preservar uma ou mais vidas, bem como para ceifá-las, nos exatos moldes dos propósitos e sempre sob as ordens de Deus. Como exemplo, temos o Apóstolo Paulo quando em sua quarta empreitada, viajou preso à Roma, na Itália e seu navio naufragou. Aqueles homens que o acompanhavam se apavoraram, mas “um anjo” visitou Paulo pela madrugada, lhe assegurando que nenhuma vida se perderia naquele episódio, mas somente a embarcação (At 27:22-24). Ao contrário, quando precisou ceifar a vida de Herodes, por ordem divina, o anjo enviado ali não titubeou e o feriu imediatamente, razão que o fez expirar “comido de bicho” (At 12:23).

 

Em que pese tais atribuições, os anjos não aceitam adoração nem podem ser cultuados (Ap 22:8-9 e Cl 2:18), sendo esta a causa provável pela qual eles não tem autorização para alterar os fundamentos do evangelho assentados por Cristo, tão pouco, para influenciar na relação do homem para com Deus, relativamente à sua condição de salvo. Estas proibições estão claras e saltam aos olhos na Palavra de Deus, estando relacionadas a outro fato importante, de que os anjos não tem ciência de todos os mistérios que envolvem o evangelho de Cristo e Sua Igreja (Gl 1:8, Rm 8:38 e Mt 24:36):

 

Gálatas 1:8 Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.

 

Romanos 8:38,39 Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

 

Mateus 24:36 Porém, daquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente o Pai.

 

No demais, encontramos os anjos como participantes efetivos dos principais eventos historicamente bíblicos que envolvam, de alguma forma, a humanidade e seu relacionamento com o Criador de suas vidas, o Nosso Deus! Eles orientaram e ampararam os principais profetas em suas dúvidas e angústias, como Daniel, Zacarias, Elias, dentre outros (Dn 9:21-23, Zc 2:3 e 1 Rs 19:5); Eles estavam para anunciar o nascimento de Cristo (Lc 2:8-20 e Mt 2:19-20); Eles presenciaram e ampararam as aflições do Próprio Senhor Jesus Cristo (Mt 4:10 e Lc 22:43); Anunciaram e também figuraram em Sua ressurreição (Jo 20:11-13); Da mesma forma, atuaram na consolação das aflições e direção dos Apóstolos (At 5:19-18, 10:1-3 e 27:22-23); Além de também comparecerem no episódio da ascensão de Cristo aos céus (At 1:10 e 1 Tm 3:16).

 

Sem prejuízo de todas estas relevantes participações, temos também aquelas que já estão preditas pela Palavra de Deus, em solenidades que eles mesmos (os anjos) regerão segundo a ordem de Deus. Entre as quais, serão por testemunho dos salvos durante o período da grande tribulação, quando Cristo vier como “Filho do Homem” à julgar as nações e os confessar diante do Pai em justificação (Lc 12:8-9), por ocasião do término do período tribulacional (7 anos após o arrebatamento da Igreja) e inauguração do seu Reino milenial, figurando ali como efetivos “ceifeiros” para separar o “joio do trigo”, de entre as nações da terra (Mt 25:31-32, 13:38-41 e 2 Ts 1:7-8). Mesmo durante o período tribulacional, os anjos terão um papel fundamental no desenrolar das profecias reservadas especificamente para aquele tempo, ante ao fato de que serão eles à inaugurar o brado de abertura dos sete selos pelo Cordeiro de Deus – Cristo Jesus (Ap 5:2); à tocar as sete trombetas para destruição parcial e gradativa da terra (Ap 8, 9 e 11:15-19), além de portarem as sete taças, cheias das sete últimas pragas, também reservadas às nações da terra (Ap 15 e 16) para compreender melhor o período tribulacional, acesse o link: http://localreuniao.com/artigos/-as-ressurreicoes.

 

Todas estas atribuições angelicais estão sendo aqui colocadas de forma superficial, para a finalidade única de apresentar ao leitor os motivos que embasam a doutrina da cobertura (1 Cor 11) com amparo unicamente nos ANJOS, se considerarmos que ao longo do cumprimento profético apocalíptico, eles participam de praticamente todos os eventos ali descritos, o que aqui seria impossível abordarmos na íntegra. Isto inclui outros pormenores que não trataremos neste artigo, como batalhas (Ap 12:7), proclamações (Ap 14:6-13, 18:2 e 19:17) e até a prisão de satanás pelo lapso de mil anos, para o estabelecimento do Reino Milenial de Cristo na terra (Ap 20:1-2), tudo a ser efetivado pelas ordens angelicais, conforme poder a eles outorgado e a natureza de suas atribuições criacionais.

 

Após conhecer suas características e funções, nota-se também que a Bíblia descreve claramente um comportamento comum a todos os anjos, pelo fato de guardarem os princípios hierárquicos que lhes foram outorgados em sua criação, ou seja, princípios de ordem criacional. Dizer isto, é dizer que os anjos não violam a lei hierárquica que Deus estabeleceu a eles por excelência. Se ele é da ordem dos anjos, haverá um limite em sua competência, até alcançar a ordem dos arcanjos, que por sua vez, estarão limitados até a ordem dos serafins, e estes, até os querubins e assim por diante – não possuímos a informação de todas as ordens angelicais – mas é certo que a ordem de poderio culminará, por óbvio, nas Pessoas Eternas, Excelsas e Tri-Unas do nosso Deus Pai, Filho e Espírito Santo, detentor de TODO o poder, no céu, na terra e debaixo da terra (Mt 28:18, Ap 7:12, 11:17, Jd 1:25).

 

Como exemplo destes comportamentos estáticos dos anjos no que tange à ordem hierárquica de Deus – apenas o comportamento, pois os anjos não são estáticos em sua consciência – temos dois mais evidentes. O primeiro mostra o anjo Gabriel, que ao declarar os acontecimentos dos últimos dias ao profeta Daniel, esclareceu que “a ordem” de Deus para o seu envio saiu logo no primeiro dia, ou “no princípio das suas súplicas” (Dn 9:21-23 e 10:12), mas que o “príncipe do reino da Pérsia” havia se colocado no caminho dele em algum lugar entre os céus e a terra, impedindo sua passagem pelo espaço temporal de 21 dias (Dn 10:13) – não temos a informação de que se tratara ali do próprio satanás ou de algum demônio de sua horda. Porém, seja qual for o caso, é um fato que o ANJO Gabriel não batalhou, mas aguardou a chegada de um ARCANJO, cuja ordem está acima da sua e é maior em poder, que pudesse guerrear contras hostes do mal, ali presentes (Ap 12:7). Latente as distintas funções, uma vez que, enquanto o anjo Gabriel aparece nos registros bíblicos entregando mensagens e decifrando sonhos aos homens, o arcanjo Miguel aparece o tempo todo batalhando e guerreando em lugares celestiais (Lc 1:19 e 26, Dn 8:16, 9:21, 10:13 e 21, 12:1 e Jd 1:9).

 

Este arcanjo – Miguel – aparece também guardando este mesmo princípio hierárquico quando contende diretamente com satanás a respeito do corpo de Moisés, ocasião em que a Palavra de Deus diz que ele “não OUSOU pronunciar juízo de maldição contra ele, mas disse: ‘o Senhor de repreenda’”(Jd v. 9). É bem cristalina a semelhança do comportamento do anjo Gabriel no episódio com o profeta Daniel, e do arcanjo Miguel diante de satanás, se considerarmos que Lúcifer era da ordem dos QUERUBINS (Ez 28:14). Ora, se lá o anjo Gabriel guardou o princípio de não batalhar além das suas atribuições dadas por Deus, aqui o arcanjo Miguel guardou o mesmo princípio de não batalhar além das suas atribuições de arcanjo, visto que satanás, ainda que caído, fora trazido à existência sob a égide da ordem dos QUERUBINS, o que o impeliu a não “ousar” em desfavor dele, mas em vez disso, transferir a responsabilidade da repreensão ao Próprio Senhor Jesus, quando expressou: “o Senhor te repreenda”.

 

Também não é difícil compreender o porquê deste cuidado angelical concernente às ordens hierárquicas de criação, tendo em vista que todos os anjos foram espectadores do episódio que tornou satanás um exemplo vivo da tentativa de violação desta ordem e suas consequências. A Palavra nos mostra que a sua queda foi o resultado de sua soberba (1 Tm 3:6, Lc 10:18 e Ap 12:9), por tentar levar adiante um plano mirabolante para burlar as leis da ordem criacional, e assim, estabelecer o seu trono em pé de igualdade ao trono de Deus (Is 14:12-15). Ao seduzir Eva no jardim do Éden, verificamos que a serpente (que é satanás) manteve o seu desejo ardente de ser como Deus (mesmo depois de banido), pois fora exatamente essa façanha que ele ofereceu fraudulentamente à ela, acaso provasse do fruto que Deus ordenou que não provasse (Gn 3:5).

 

Lamentavelmente, assim como ele se ensoberbeceu achando que haveria possibilidade de ser como Deus, Eva também caminhou neste sentido, arruinando seu marido (que é a figura do homem enquanto gênero) e também a ordem criacional das coisas, seres e pessoas, visto que a eles fora dado o poder de “dominar” sobre toda a criação (Gn 1:26). A Palavra de Deus chega a nos dizer que toda “a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou [o pecado], na esperança de que também a mesma criatura [o homem] será libertada da servidão da corrupção [através da fé em Cristo], para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8:20-21) – os termos em destaque foram acrescentados para melhor entendimento do que está sendo tratado pelo Apóstolo Paulo na passagem.

 

Após todas estas informações, ainda temos que os anjos possuem a forte característica de espectadores da relação de Cristo com a sua igreja, vez que a Palavra nos informa que eles estão “atentos” ao nosso comportamento, tornando nossos passos em vida e adoração como um “espetáculo” de vislumbre aos seus olhos e exercício de aprendizado, mormente sobre como seria possível um ser, nascido originariamente em pecado – o ser humano – tomar a decisão de crer em uma justificação gratuita, no que se refere às suas obras, mas que somente exige dele que se reconheça um PECADOR (1 Pd 1:12 e 1 Cor 4:9). Isso ocorre muito em razão de os anjos não terem conhecido nada a respeito do evangelho da graça, advindo quando da inauguração da Igreja de Cristo (Atos 2), onde haveria possibilidade de salvação dos gentios (não judeus) por meio da FÉ, até que Deus a revelasse ao apóstolo Paulo, visto que não só os anjos, mas ninguém tomou conhecimento deste advento da igreja, nem homens, nem potestades, nem ANJOS, antes do seu ministério ser estabelecido. Era algo que estava “oculto em Deus desde todos os séculos” (Ef 3:8-12).

 

Agora sim! Voltamos à tratar da doutrina contida em 1 Cor 11:2-16, mas agora, sabedores da importância que tem os anjos, não só no desenrolar dos fatos e eventos ao longo da história humana pregressa, como também futura, o que não exclui da apreciação deles no momento PRESENTE que vive cada cristão na prática de adoração ao Senhor Jesus, que somente se dará nos ditames bíblicos, se em obediência à SÃ DOUTRINA, apostólica. Todos devemos ter a responsabilidade de cumprir o mandamento do Senhor, sobre a mulher estar coberta e o homem descoberto em suas cabeças, quando orarem ou profetizarem, visto que isso importa em reconhecimento de PODERIO (poder em excesso, autoridade) perante os anjos de Deus.

 

Durante o capítulo estudado, que tratou o tema, o Apóstolo Paulo não repisou o assunto da ordem criacional sem nenhuma razão de ser! Na bíblia, nada foi escrito por acaso, nada pode ser interpretado particularmente e nada há que tenha escapado da inspiração do Espírito Santo (Rm 15:4, 2 Pd 1:20 e 2 Tm 3:16). Muito pelo contrário meus irmãos, ele faz questão de iniciar explicando que, para um anjo, uma coisa ou pessoa sempre provém de outra, o que torna indispensável para ele identificar quem provém de quem na hierarquia criacional, característica de sua própria criação, que se deu em ordens também hierárquicas – mas estas, angelicais.

 

Tanto o é, que não encontramos os anjos violando estes preceitos (lembre-se de Gabriel e Miguel, diante de situações que não podiam sustentar, mas sempre guardando o princípio da ordem criacional). Ressalto que, o único registro bíblico de um anjo que tenha tentado violar a ordem de criação, foi o de Lúcifer (satanás), que por esta atitude, foi banido da esfera exclusivamente celestial pra habitar no abismo terrestre, juntamente aos seus comparsas, que tornaram-se igualmente caídos em razão do mesmo erro. Ressalte-se ainda, que os demais anjos assistiram este episódio e, provavelmente, guardam não só a lembrança da queda do maior e mais poderoso “anjo de luz”, como também da destinação final preparada a ele e seus demais, cujo alguns se encontram até reservados em cadeias escuras, aguardando o tempo do seu Juízo (2 Pd 2:4), para serem julgados pela então igreja de Cristo na terra (1 Cor 6:3).

 

É partindo daí que a mulher precisa se cobrir, e o homem não, quando estiverem em ato de adoração perante o seu Senhor, sempre POR CAUSA DOS ANJOS, que ao atentarem para os cristãos em adoração e prática doutrinária precisam identificar quem provém de quem na ordem criacional. Por qual motivo eles precisariam desta identificação? Pelo simples motivo de terem sido criados assim, lembrando que tal hierarquia não é de ordem vertical (superiores e inferiores), mas de ordem horizontal, isto é, CRIACIONAL, onde aquele que deu causa à existência do outro, passa a figurar como a “cabeça” do que foi gerado de si (v. 11 e 12). Esta é a “lente” que precisamos utilizar para enxergar como os anjos enxergam uma reunião de cristãos.

 

Observe como é fácil agora, ver com os olhos de um anjo a posição criacional de cada cristão individual ou coletivamente em uma reunião, onde DEUS é cabeça de Cristo, que é cabeça do homem, que é cabeça da mulher (1 Cor 11:3) – sempre um após o outro, sempre um proveniente do outro. Quando o anjo Miguel não enfrentou o príncipe da Pérsia que o cercou, ele o viu com esta perspectiva – quem provém de quem? – Para então decidir esperar o Arcanjo que PROVÉM de uma ordem angelical mais poderosa. Já o arcanjo Miguel, quando enfrentou satanás pelo corpo de Moisés, ele também o viu sob o mesmo enfoque – quem provém de quem? Desta forma, foi que ambos chegaram a conclusão de que não poderiam enfrentar a situação, sem violar a ordem criacional de Deus e, semelhantemente, remeteram o problema a alguém posicionado imediatamente acima deles na hierarquia entre anjos, arcanjos, serafins, querubins, etc.

 

Poderíamos até nos perguntar: “mas porque só a mulher se cobre?” Porque ela é a última na ordem da criação. Após ela, nada mais foi criado, estando claro na Palavra de Deus que ela proveio do homem, e o homem de Deus. Por esta razão, o anjo identifica a mulher como proveniente do homem (e não de Deus), e passa a estabelecer a ordem criacional ali exatamente como a Palavra mostra que ele estabeleceria, sendo: 1) Deus como cabeça de Cristo; 2) Cristo como cabeça do homem e; 3) o homem, como cabeça da mulher. Contudo, e a mulher? Como cabeça de quem? Aí está o ponto, visto que não encabeça nenhuma outra criação posterior a ela! Ela, de fato, foi a última das criações! Em outras linhas, Cristo como a glória de Deus, já que proveio Dele (foi enviado por Ele) e o tem por cabeça; o homem como a glória de Cristo, já que proveio Dele e o tem por cabeça, e a mulher como a glória do homem, já que também proveio dele e o tem por cabeça (v. 7-9), mas nós não podemos encontrar alguém que possa ser visto na ordem criacional como a glória dela ou como uma vida gerada da vida dela. Assim como nós, os anjos também não conseguem ver!

 

Os anjos, ao observarem cristãos orando ou profetizando (reunidos ou não), a glória dali emanada fica naturalmente DIVIDIDA na visão deles. A glória da cabeça do homem aparece – que é Cristo – acaso ele não esteja coberto, pois, se estiver, desonra sua cabeça. Mas a glória da cabeça da mulher também aparece – que é o homem – acaso ela não se cubra, o que também a desonrará. Para resolver este dilema de princípios criacionais perante os anjos, Deus inspira o apóstolo Paulo, através do seu Espírito Santo, à redigir uma doutrina que posicionasse os membros do “um só Corpo” de Cristo em seus devidos lugares, a luz da ótica angelical, com dois atos principais, a saber, UM MASCULINO, que atribui a glória à Cristo (quando o homem se descobre e exalta Aquele que está sobre sua cabeça) e OUTRO FEMININO que destitui a glória do homem (quando a mulher se cobre e esconde a sua glória – o homem – que está como sua cabeça) e, com isso, também atribui a glória somente a Cristo, ali presente.

 

Ao cobrir sua cabeça, a mulher deixa de ser a última das criações e recebe PODERIO (autoridade) para assumir a mesma posição CRIACIONAL que o homem e, naquele momento, somente perante os anjos, deixar de ser a glória dele (por ter sido gerada da vida dele) para se encontrar diante de Deus, tendo somente CRISTO como sua cabeça. Ao cobrir a cabeça, a mulher também esconde sua ordem de proveniência perante os anjos (que é o homem enquanto sua cabeça), dando lugar à glória que pertence somente ao Senhor Jesus Cristo naquele ato de adoração (seja orando ou profetizando). Da mesma forma, o homem mantém sua cabeça descoberta nestas mesmas ocasiões, para o fim de não cobrir a glória da sua cabeça, que é Cristo, o seu Senhor! É importante lembrarmos, que tais alusões ocorrem na esfera espiritual e tem serventia somente para os anjos, sendo somente isso que encontramos ESCRITO.

 

Para não desonrarem suas respectivas cabeças, e com o fim único de exaltarem somente Aquele que está sobre elas – e também sobre todo e qualquer nome (Fl 2:9) – a mulher se cobre pelo mesmo motivo que o homem se descobre, para de uma forma racional (Rm 12:1) prestar-lhe culto de adoração verdadeira, aquela direcionada ao Senhor das nossas vidas, em Espírito e em verdade (Jo 4:23) e ensinar estas coisas aos anjos que nos assistem, sem violar a forma natural concedida a eles, de ordenar as coisas e pessoas diante de si, pela naturalidade da vocação criacional que lhes compete desde quando foram formados.

 

Entendendo esta linda doutrina e seus motivos, é clarividente que não temos a salvação da mulher ou do homem relacionada a ela, assim como não temos nenhuma disposição bíblica de impedimento à oração do homem ou da mulher, acaso não pratiquem a oração e/ou a profecia/ensino – que no caso da mulher somente está autorizada pela Palavra se for à ensinar as demais irmãs ou crianças, mas nunca exercê-la sobre o homem, como encontramos em (1 Cor 14:34-40 e 1 Tm 2:11-15). Assim devem proceder, homem e mulher, sempre respeitando a doutrina da cobertura de 1 Cor 11:2-16 (embora repetitivo, reitero a relevância de não esquecermos de que se trata de algo relacionado somente AOS ANJOS). Não há impedimentos ou prejuízos à relação do homem ou da mulher para com Deus, via Jesus Cristo, se porventura tal doutrina não for cumprida. Alías, quando a Palavra traz expressamente algum impedimento à recepção da oração de algum cristão diante de Deus, ela é bem clara sobre seus motivos, como ocorre em 1 Pd 3:7.

 

Da mesma forma, quando o mandamento é proferido expressamente por causa de Cristo, temos a referência direta da Palavra indicando neste sentido, assim como ocorre ainda no mesmo texto, mais adiante, em (1 Cor 11:24-25) , a respeito da Ceia do Senhor, quando lemos: “fazei isto em memória de mim”. Aqui sim, temos uma ordem direta de mandamento a ser cumprido em razão Dele. Vale dizer que a passagem de (Rm 11:36): “porque Dele, e por Ele, e para Ele são todas as coisas”, não guarda relação doutrinária. O contexto da passagem nos mostra que se trata de um hino de adoração ao Senhor, que o apóstolo cantou, logo após tratar dos mistérios que evolvem o resgate do povo de Israel, cuja letra faz referência a TODAS AS COISAS, sejam elas relacionadas à igreja ou ao povo judeu. Por óbvio que o apóstolo não se referia a qualquer coisa ou prática, indiscriminadamente, pois isso seria o mesmo que dizer que uma pessoa pode praticar crimes em nome de Deus, sob o pretexto de que é “por Ele, para Ele…etc”. Dele, por Ele e Para Ele sim! Mas, são todas as coisas relacionadas à salvação do seu povo celestial (sua Igreja) e do seu povo terrenal (Israel), cada qual ao seu tempo e tratativa. Para entender melhor a separação entre estes povos, acesso o link: http://localreuniao.com/artigos/israel-de-deus-x-igreja-de-cristo.

 

Sobre o uso exclusivamente do utensílio VÉU para cobrir a cabeça, este não é o sentido do mandamento, contando que esteja coberta a cabeça da mulher, assim como, descoberta a do homem. Esta cobertura pode ser feita por um chapéu, por outro tecido que não seja um véu propriamente dito, ou ainda, pela própria mão da pessoa que se cobre (em situações mais urgentes de necessidade de oração ou em lugares públicos, nada impede que as irmãs assim procedam). Do mesmo modo, os homens devem descobrir a cabeça, não importando qual utensílio o esteja cobrindo no momento, seja um tecido, um chapéu, um boné ou gorro, não importa, o mandamento é para que se descubra ao orar ou profetizar.

 

Da análise dos termos gregos que se traduzem por “véu” ou “cobertura”, percebe-se que há dois termos distintos na passagem. O primeiro é “katakalupo”, que encontramos no versículo (6), no lugar da palavra “véu” e significa literalmente “cobertura artificial”. Daí a melhor tradução para a segunda parte do versículo seria: “… mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que esteja velada [ou coberta] artificialmente”. Deste modo, também torna-se eliminada a má doutrina criada em redor deste versículo, para fundamentar a proibição das mulheres de cortarem seus cabelos. O apóstolo está apenas utilizando um exemplo de cobertura (natural) em favor do outro (artificial), ao explicar se a mulher ora ou profetiza descoberta, isso se torna tão indecente e constrangedor para ela, que é semelhante ao seu sentimento de ter sua cabeça “raspada” arbitrariamente (contra a sua vontade – o que lhe seria por vergonha).

 

Ora, se ela se constrange e sente vergonha ao raspar-se (cortar seu cabelo rente) de uma hora para a outra, então, “que esteja velada” (coberta com cobertura artificial), pois o efeito será o mesmo acaso não se cubra diante dos anjos, sendo este o sentido dado ao próximo termo grego encontrado para a palavra “véu”, já no (versículo 15), onde diz: “… porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu. Este termo grifado já mudou, não é mais o primeiro que estudamos. Agora o termo grego encontrado é “peribolaiou”, que significa “adorno natural, penteado”. Repare como o sentido mudou de uma palavra para outra. Enquanto temos cobertura artificial no verso 6 (que pode ser véu, chapéu, lenço…), temos adorno natural no verso 15 (enfeite adornado no próprio cabelo, penteado…). Logo, o cabelo não foi dado à mulher como substituição à cobertura artificial (katakalupo), mas fora dado como possibilidade de um adorno natural, que pode ser produzido até por um penteado, um frisado, etc. (peribolaiou).

 

A concluir, o apóstolo sentencia a consciência dos receptores corintianos à época, e também de todo o cristão cumpridor da sã doutrina que se encontre em qualquer lugar invocando o Nome do Senhor Jesus de um coração puro e sincero (1 Cor 1:2), dizendo que, se a mulher e o homem se autoanalisarem, verão que é indecente naturalmente orar ou profetizar raspada – no caso dela – ou com cabelo crescido – no caso dele – v. 14 e 15. Isso é colocado para ponderação de cada um ao julgar a pertinência da prática doutrinária da cobertura, tendo eles que considerar que, pela lei natural, é desonra para o homem ter cabelo crescido, assim como é para mulher estar raspada. Ora, se isso é indecente naturalmente, se estas coberturas naturais (peribolaiou) não podem ser alteradas por gerarem certa vergonha a eles em seu ego e consciência, assim também é a ordem doutrinária da cobertura artificial (katakalupo) que, se não observada, representa perante os anjos a mesma indecência da violação natural.

 

Em suma, a inobservância da ordem da cobertura artificial perante os anjos, equivale-se a inobservância da ordem de coisas naturais e, portanto, criacionais. Por último ainda, se a mulher acha indecente andar com seu cabelo raspado pelas ruas, e tem o penteado do cabelo como algo que lhe foi dado como adorno natural (peribolaiou) – vs. 14 e 15, então ela deve, da mesma forma, entender que perante os anjos, estará raspada, acaso não utilize a cobertura artificial (katakalupo), quando orar ou profetizar, considerando que é o ato de cobrir-se artificialmente que a eleva ao patamar criacional que estudamos (caso contrário, permanecerá diante dos anjos como alguém proveniente do homem, e não de Deus). É somente isso que a Palavra traz concernente ao cabelo feminino e masculino para a igreja de Cristo. Não há proibição para a mulher cortar o seu cabelo, ou usar qualquer tipo de adorno ou maquiagem, como se tenta fazer entender em algumas denominações cristãs. O que se deve observar, é que estes adornos, sejam eles quais forem, não podem ser considerados a beleza central de uma mulher cristã (1 Pd 3:3), mas devem dar lugar às características bíblicas de uma mulher de Deus, em moderação e sujeição, nos exatos moldes ensinados pela Sua Palavra (Tito 2:5).

 

Não substituir a Cristo em seu coração, pelos seus adornos a atributos de sua beleza, é a única ordem deixada pela Palavra à mulher neste sentido. Entretanto, este princípio regula da mesma forma o cuidado que devem ter, tanto o homem, como a mulher, cristãos, ao substituírem Deus em seu coração por qualquer outra coisa, valendo também este ensinamento para aquelas que quase não notamos, como a internet, a televisão, um “pregador” que gostamos muito, um lazer, etc. Atente-se para o que estou colocando irmãos. Não há proibição para utilização de nenhuma destas coisas na Palavra de Deus, pois “... nenhuma coisa é imunda de si mesma, senão para aquele que a faz por imunda” (Rm 14:14), porém, a partir do momento em que substituímos o Senhorio de Cristo em nossas vidas, por alguma outra atração que nos domine, praticamos literalmente o pecado da idolatria. Assim, amados, estejamos seguros naquilo em que aprovamos POR FÉ, pois o que não é de FÉ, é pecado! (Rm 14:22-23).

 

O cumprimento da doutrina da cobertura pode ocorrer em reunião com irmãos da assembleia – Igreja – ou não. O apóstolo inicia a tratativa doutrinária especificamente sobre uma assembleia (reunião de cristãos), somente a partir do versículo 17 de 1 Cor 11. Anteriormente, ele está tratando a aplicação da doutrina de forma mais ampla, que transcende às paredes da assembleia e ordena que em qualquer situação de oração, ensino ou anúncio da Palavra de Deus, haja obediência a esta doutrina, concluindo que os receptores dela até poderiam criar contendas sobre o assunto, mas que NÓS “… não temos tal costume, e em as igrejas de Deus”. (v. 16)

 

Que as mulheres cristãs estejam prontas à observar a doutrina bíblica, assim como os homens, reconhecendo que as disposições deixadas para o convívio e prática de adoração da Igreja de Cristo, requer edificação do Seu Corpo em “ordem e decência” (1 Cor 14:26-40) e mais, o reconhecimento de que tais doutrinas, sempre que apostólicas, tem o status de MANDAMENTOS DO SENHOR, não devendo ser ignorada pelo povo de Deus, como visto.

 

Por: Reny Junior

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Author: Acervo Digital Cristão

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